Seca provoca problema para plantio da safra de primavera
Texto: Paulo Toledo
A falta de chuvas está provocando problemas para os produtores rurais, que estão com o plantio da safra de primavera atrasado. Os que fizeram a semeadura no início do mês, quando ocorreu um bom nível de chuvas, vão ter que refazer o trabalho, já que o déficit hídrico ocorrido em outubro fez com que aquela ação inicial ficasse perdida.
Maurício Lima Verde Guimarães, presidente do Sindicato Rural de Bauru (SRB) e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), destaca que a falta de chuvas está provocando problemas em relação ao prazo de plantio da safra da primavera. As temperaturas elevadas fazem com que as poucas chuvas que vêm caindo não sejam suficientes para molhar o solo de maneira a permitir seu preparo.
Apesar de já se estar no fim de outubro, ainda não foi possível realizar as operações de preparo da terra, principalmente para culturas como milho e feijão.
Em relação às culturas permanentes, como café, laranja e cana-de-açúcar, os produtores estão prevendo prejuízos grandes, uma vez que a
época é de se preparar para o próximo ano em termos de florada.
Lima Verde diz que as previsões do governo, de que será colhida uma safra recorde, acima de 90 milhões de toneladas, são uma jogada de marketing, porque sob o aspecto de agricultura o ano está péssimo, em razão do grande déficit hídrico.
O vice-presidente da Faesp disse que o pasto está secando, uma situação que é atípica para esta
época do ano. Porém, ele não acredita que haverá uma nova alta no preço do leite.
Em relação ao café, a expectativa é de que a florada de novembro "vingue". Mas, para que isso ocorra deverá existir condições favoráveis de umidade. "Já está prevista uma queda grande de produção. Porém, não há como prever, neste momento, de quanto será", destacou.
Paulo Benedito Paro, diretor da regional de Bauru da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), afirma que os produtores que plantaram no início do mês acabaram tendo problemas e vão ter que fazer o replantio, quando as condições do tempo melhorarem.
Paro chega a prever uma quebra entre 10% e 20% na produção de café, por conta do período seco e das altas temperaturas. O diretor da regional da Cati diz que a expectativa é de que as chuvas possam vir com rapidez, para que a safra possa ser plantada.