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Ricardo Polettini
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Para sindicato, preço da Cesp é irrisório

Texto: Ricardo Polettini

Para o Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo

(Seesp), o preço mínimo fixado pelo Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização para venda da Cesp Paraná - R$ 1,739 bilhão para alienação de 38,67 % do capital total da empresa -, divulgado essa semana,

é irrisório.

O sindicato já havia contestado os preços mínimos estipulados para os leilões das outras duas geradoras e estuda a possibilidade de entrar na Justiça para contestar o preço fixado para o leilão da Cesp.

A empresa, pelos cálculos dos engenheiros, estaria avaliada em R$ 20 bilhões. O R$ 1,7 bilhão anunciado corresponde aos quase 40% do capital, no total avaliado em R$ 6,8 bilhões, pouco mais de um terço do valor estimado pelos engenheiros, contabilizando dívidas e dividendos da empresa.

Segundo Carlos Augusto Ramos Kirchner, um dos diretores da delegacia do Seesp em Bauru, a entidade também critica o governo por continuar sendo o avalista das dívidas da Cesp, calculadas em R$ 5 bilhões. Kirchner disse que a situação se complica ainda mais porque, além dessa dívida, parte dos R$ 2,7 bilhões que a empresa teria o direito de receber como capital realizável - cerca de R$ 1 bilhão

- já estariam comprometida na Justiça, por dívidas a cargo da Fazenda Estadual, referentes à época em que a Cesp fazia parte do consórcio Paulipetro, criado no governo Maluf e desativado na gestão seguinte.

"A empresa que assumir a privatização com certeza não vai querer assumir esse R$ 1 bilhão e será mais um ônus para o Estado", lembra Kirchner.

Segundo o Seesp, Estado deverá permanecer como avalista de R$ 5,3 bilhões. Se o novo controlador não pagar, a Fazenda deverá pleitear a retomada de 1 ou 2 das 6 usinas que

estão sendo vendidas.

Nesse caso, o Estado estaria se desfazendo de uma empresa que no último semestre teve uma receita operacional de R$ 594,8 milhões contra uma despesa operacional de R$ 167,4 milhões, permanecendo ainda como avalista de sua dívida.

"É a mesma coisa de você vender um carro que vale R$ 20 mil por R$ 6 mil, um absurdo", exemplifica o diretor.

Ainda segundo cálculos efetuados, significa valorizar cada 1 dos 6.620.900 KW de potência instalados

como US$ 564, quando o custo de se fazer uma nova usina hidrelétrica para cada KW instalado não sai por menos de US$ 1.400, quase três vezes mais.

Os dados para fazer uma nova usina podem ser comprovados com as informações anteriormente disponibilizadas pela Aneel para seu

Programa Indicativo de Licitação de Concessões e valem para o Brasil e qualquer local do mundo.

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