Bauru na onda do forró
Texto: Ricardo Polettini
A cidade começa a entrar no ritmo popular mais cultuado no momento por universitários nas principais cidades do Interior e em São Paulo
Nada de música eletrônica ou rock'n'roll, muito menos música sertaneja ou pagode. A onda dos universitários em Bauru agora é o forró.
Embora as casas especializadas no gênero em São Paulo já estejam fazendo sucesso há pelo menos quatro anos, aos poucos a malemolência e a ginga do forró vem tomando de assalto os embalos noturnos dos estudantes da cidade.
Ainda que timidamente, há cerca de dois anos, grupos de universitários começaram a freqüentar um dos mais tradicionais bailes de forró de Bauru, o Forró do Cavalieri, hoje na Vila Falcão.
Talvez influenciados pela moda na Capital, em casas como a KVA e a Remelexo, estudantes começaram a trazer à cidade a curtição de dançar agarradinho e de se misturar a pessoas de mais idade, sem preconceitos de classe social ou discriminação pelo tipo de roupa ou jeito de falar.
Em agosto deste ano, universitários do curso de relações públicas da Unesp organizaram quatro noites de forró no evento "Arrasta-Pé Universitário", organizado em parceria com a Cooperativa Brasil, de Campinas (SP).
A Cooperativa é um espaço cultural que promove noites de forró de quarta a sábado na cidade, além de cursos de dança, envolvendo a participação de um público bastante diversificado, formado por universitários, professores, operários, empresários, músicos e fãs do forró em geral.
"A idéia do projeto foi abrir um espaço alternativo e diferente para o público se divertir e dançar, como tem acontecido em grandes cidades, como São Paulo e Campinas", disse Milena Lopes, da equipe Kaos Eventos, organizadora ao lado de Raquel Lorenzzetti, Alexandre Segalla e Davi Almeida.
O evento em Bauru foi incluído no roteiro do "Forró Itinerante" da Cooperativa, que passou ainda por Taubaté, São Pedro e Botucatu. Entre as atrações estavam grupos como Trio Virgulino, Trio Nordestino, Trio Sabiá, Dominguinhos, Banda Mafuá, Bixo de Pé e Baião de Quatro, entre vários outros.
Arriscando passos
A casa noturna Clube Avenida, especializada em samba e pagode, começa também a abrir suas portas também para o forró. Na última quarta-feira, em parceria com universitários, o clube organizou seu primeiro "Forró Universitário".
Segundo a promoter da casa, Andréa Fiorucci, a recepção do público foi calorosa. "Todo mundo saiu dançando, foi um astral muito legal".
Uma das pessoas mais animadas na noite era a locutora Camila Caparroz, 24 anos. "Eu curto forró desde 1993, quando estive em Trancoso (Bahia) e o descobri. Virou moda, a galera está aceitando legal a música regional. Isso é bom demais", disse.
Já para arquiteta Luciana Fassoni, 30, o forró não se limita ao modismo. "O forró é eterno, uma delícia de dançar. Não acho que é só uma tendência. Ele já está aí há muito tempo".
Outro fato bastante contundente, é que dançar agarradinho abre as portas para fazer novas amizades, ou quem sabe, unir novos casais. "É claro que o forró está em alta, mas o que atrai mesmo é a possibilidade de conhecer mais pessoas, pelo fato de dançar junto", diz Ana Alice, 20, estudante de jornalismo.
Quem animou a noite foi o grupo Baião de Doido, formado há três anos, liderado pelo músico e compositor Cláudio Corradi. Ele é enfático em atestar a nova moda. "Dá para notar que, mês a mês, festa a festa, as pessoas estão pedindo mais forró e, principalmente, comprando CDs, ouvindo e dançando", comenta.
Origens do forró *
A origem do termo forró tem duas versões. Para historiadores, vem da expressão "for all" - "para todos", em inglês.
Os ingleses ofereciam festas regadas a muita bebida, comida e música para operários da construção ferroviária no Nordeste, chamando-os com gritos "for all, for all", ficando para os brasileiros a pronúncia
"forró".
Já a versão popular diz que forró vem de
"forrobodó" - expressão para designar festas populares com música, dança e aguardente.
Um dos mais importantes propagadores do ritmo foi o pernambucano Luís Gonzaga, que sintetizou sua música executada a sanfona, zabumba e triângulo, popularizando ritmos como o baião, o xote e o xaxado.
Outros ritimos também estão associados aos forrós, como o coco-de-roda, a ciranda, o maracatu e o pé-de-serra, este último, marca registrada do grupo Mestre Ambrósio, que se apresentou em Bauru na última sexta-feira.
Fonte Folha Universitária (Uniban)
Sesc comemora Dia do Comerciário com forró
O Sesc comemora hoje o Dia do Comerciário (30 de outubro) com show com a Banda Bicho de Pé, a partir das 16 horas, numa edição especial do projeto Descontrasom.
A banda, formada há três anos, é resultado de uma fusão de músicos de diferentes estilos, que pesquisam as origens da música e da tradição popular nordestina, como o forró pé-de-serra. O repertório inclui a releitura de intérpretes e compositores como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Marinês e sua Gente, Dominguinhos, Zé Ramalho, Sivuca, Geraldo Azevedo e Xangai, entre outros, além da nova safra da MPB, como Lenine, Zeca Baleiro, Rita Ribeiro, Chico Science e Nação
Zumbi e algumas canções de domínio público.
Em composições próprias, a banda mistura ritmos brasileiros, como o baião, xaxado, xote, coco, rojão e a congada, entre outros. O grupo deve lançar seu primeiro CD em breve, "Com o Pé nas Nuvens". O disco contará com as participações de artistas como Miltinho Edilberto, Ceumar e Nana de Nazaré. A banda vem se apresentando nas casas de forró do circuito universitário de São Paulo, como a Remelexo, Equilíbrio e a Cooperativa Brasil
(Campinas), com grande aceitação do público.
Serviço
Descontrasom Especial, com a banda Bicho de Pé, hoje, 16h, no ginásio do Sesc. R$ 8,00 e R$ 4,00 (estudantes com carteirinha e pessoas acima de 65 anos). Comerciário não paga. Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: 235-1750.