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Erika de Lima
| Tempo de leitura: 3 min

9% dos bauruenses precisam de assistência

Texto:Erika de Lima

Pesquisa feita pela Faculdade de Serviço Social da ITE revela que 27.501 pessoas em Bauru são carentes e precisam de algum tipo de serviço oferecido pelas entidades assistenciais

Apesar de ser responsabilidade do Estado, a questão social ultimamente está sendo mais cuidada pelas instituições não-governamentais. Em Bauru, cerca de 9% da população precisa de algum tipo de ajuda das entidades assistenciais, num total de 27.501 pessoas, segundo pesquisa feita pela Faculdade de Serviço Social da Instituição Toledo de Ensino (ITE).

No entanto, infelizmente, as entidades não conseguem atender a todos. De acordo com a pesquisa da ITE, 12.074 pessoas (4% da população da cidade) recebem algum tipo de ajuda ou de atendimento das entidades assistenciais em diferentes áreas

- educação, como creches e berçários, cultura, esporte, alimentação e até abrigo.

A pesquisa mostra que do total de atendidos, 6.935 são crianças; 397 idosos, 3.251 famílias e 1.491 pessoas portadoras de deficiência. Quarenta e três por cento das pessoas que precisam são atendidas pelas entidades. As outras 56% aguardam a vez de conseguir o atendimento.

Portanto, fica claro que, apesar dos esforços das entidades existentes, ainda faltam programas assistenciais. Os que já existem poderiam ser ampliados, mas para isso precisam de investimentos, que poderiam vir de parcerias com empresas privadas.

No Brasil, conforme demonstra a pesquisa nacional de amostragem por domicílios do Instituto de Pesquisa (Ipea), 70.812 pessoas, ou seja, 24.5% da população brasileira, que ganham menos que R$ 149,00 por mês, vivem abaixo da linha da pobreza.

Ainda a amostragem aponta que 5,14%, dos brasileiros vivem em situação de indigência. São pessoas que ganham menos de R$ 73,00 por mês. Diante desse quadro, a diretora da Faculdade de Ciências Sociais da ITE, Egli Muniz, afirma que a parceria das entidades com empresas privadas

é muito importante para um maior atendimento.

"Precisamos de organizações que assumam o compromisso com as entidades e programas sociais. Mais dois ou três projetos em Bauru resolveriam o problema das crianças nas ruas, por exemplo", argumenta.

Projetos como o Garoto Cidadão, realizado em parceria entre a ITE e a rede Confiança de Supermercado, por exemplo, tem por objetivo tirar crianças e adolescentes das ruas e dar a elas atividades extras, como complementação aos estudos. "Dessa forma, o jovem não tem tempo para ficar na rua", afirma Egli.

Os amigos Ramiro Rocha Oliveira Neto, e Richard de Souza Garcia, ambos de 15 anos, disseram ter mudado de vida depois de entrar no programa Garoto Cidadão. "Não brigo tanto quanto antes e agora vejo outras coisas boas da vida", relata Garcia. Já Oliveira Neto conta que sua mãe percebeu a diferença. "Ela até comenta com as colegas dela que eu melhorei em casa".

A falta de programas que atendam certos segmentos da sociedade, como adolescentes e famílias carentes, pessoas portadoras de deficiência e idosos, é motivo freqüente de reclamação por parte de quem precisa utilizar o serviço. O casal de namorados portador de deficiência visual Jorge Herrera Lopes, 34 anos, e Sebastiana Ferreira de Lima, 38 anos, consideram o Lar-Escola Santa Luzia como uma grande oportunidade.

"Temos que trabalhar nossa percepção já que perdemos a vista e é por isso que entidades voltadas para nosso segmento é de extrema importância", ressalta Lopes. Sebastiana, que perdeu a visão há sete anos, disse que a instituição a incentivou a fazer atividades, que pensava não conseguir mais. "A entidade nos ajuda a enxergar novos horizontes, pois aqui temos companheirismo e muitas experiências", observa.

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