Majô quer reunião com direção da AHB
Texto: Daniela Bochembuzo
Vereadora do PC do B considera necessário que diretores expliquem questões relacionados a vagas, verbas e obras na instituição
A vereadora Majô Jandreice (PC do B) anunciou, na sessão da Câmara Municipal de ontem, que irá requisitar uma reunião pública com a direção da Associação Hospitalar de Base (AHB). A parlamentar considera necessário discutir questões relacionadas ao número de leitos, montante e aplicação de verbas recebidas e cronograma de obras realizadas na instituição.
Presidente do Conselho Municipal de Saúde, Majô afirma ser importante ampliar a discussão da crise da saúde em Bauru, hoje centrada no Pronto Socorro Central, em função da recente morte do universitário Flávio Henrique Polaquini, por aneurisma cerebral, naquela unidade.
"O Conselho Municipal de Saúde não tem poder executivo. Nós reunimos muitos documentos sobre o assunto e os discutimos, mas é necessário que a Câmara Municipal e a Prefeitura tomem atitudes relacionadas à saúde e a reunião pode dar encaminhamento a isso", declarou, durante discurso na tribuna.
Majô deve solicitar a realização da reunião pública por meio de encaminhamento de ofício à direção da AHB ainda nesta semana. Em discurso, Paulo Madureira (PPB) garantiu que apoia a iniciativa da vereadora e considerou a reunião necessária. "Terei prazer em participar porque me interessa, enquanto vereador e cidadão, saber onde foram aplicados os recursos recebidos pela AHB nos
últimos cinco anos", afirmou.
Madureira espera que, durante a reunião, a direção da AHB explique a razão da demora da realização de cirurgias nos hospitais da instituição e das internações. Muitos leitos, segundo o vereador, somente são ocupados após interferência de algum vereador ou membro do primeiro escalão da Prefeitura.
"Hoje, só entra no hospital quem tem alcunha de vereador ou influência da diretoria da AHB. Recebo denúncias diárias sobre isso e sobre pacotes para se obter internações e conseguir cirurgias. É preciso que isso seja explicado e colocado às claras", defendeu Madureira.
Em razão das recentes denúncias relacionadas ao PS e à AHB, o pepebista pediu ao prefeito, durante discurso na tribuna, que implante a gestão plena da Saúde. Dessa maneira, acredita o vereador, será possível ter acesso à instituição hospitalar. "Precisamos ter pessoas de Bauru na direção, pessoas que respondam diretamente ao prefeito e a esta Casa", concluiu.
Rubens Spíndola (PSDB) também pediu a municipalização da saúde de Bauru. Segundo ele, dessa maneira, não será preciso mais "mendigar responsabilidades".
"O primeiro responsável pelo sistema deve ser o prefeito. Caso contrário, vamos ficar chovendo no molhado e mais Flávios, Marcelos e Ricardos morrerão sem atendimento nos corredores das unidades de saúde", discursou.
Em aparte, Majô Jandreice lembrou, no entanto, que a municipalização da saúde não é um processo fácil. Segundo ela, com a gestão plena, o Município necessitaria de R$ 35 milhões por ano para custear o sistema, incluindo desde os procedimentos básicos aos mais complexos.
Para a implantação da gestão plena, acrescenta a vereadora, é fundamental ainda adequar algumas unidades de saúde, caso do PS Central, que já teve verbas para obras de melhorias aprovadas, mas os recursos não foram disponibilizados pelo governo federal. "Outro ponto
é saber como andam as construções para recuperação do Hospital Manoel de Abreu, quanto foi gasto e onde está a verba restante", disse Majô.
Em discurso inflamado, Catarina Carvalho (PFL) afirmou que é preciso manter a indignação em relação
à precariedade do sistema de saúde bauruense, mas não somente quando casos segmentados são levados
à Imprensa. "Antes desse universitário, indigentes e outros anônimos devem ter morrido nas mesmas situações, mas nada foi feito. Vamos tomar o assunto com a seriedade que merece", solicitou.
Roberto Bueno (PTB) também pediu o apuramento da situação do PS Central e lembrou que a situação municipal
é reflexo do cenário nacional em que a saúde está inserida. "O que acontece em Bauru, infelizmente, também é registrado em outras cidades brasileiras", comentou.