Geral

Reclamação

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Médicos dos PS reclamam de estresse e fazem autocrítica

A reunião realizada ontem à noite entre a secretária municipal da Saúde, Eliane Fetter Telles Nunes, e os 130 médicos que atuam nos quatro pronto-socorros municipais foi considerada altamente produtiva, culimando com mea-culpas, críticas construtivas, sugestões e decisões que começam a ser implementadas a partir de hoje. Uma delas, segundo a secretária, diz respeito à necessidade de ampliação do espaço físico dos pronto-socorros e a disponibilização de mais equipamentos.

Mas não foi só isso que a reunião que durou quase quatro horas discutiu. Eliane Telles Nunes estará levando o resultado da conversa com os médicos ao prefeito Nilson Costa e ao secretário da Administração, Antonio Gerson de Araújo. Ela relatou ao JC, hoje, por volta de 0h15, logo após o término da reunião, que os médicos reclamam que há problemas estruturais sérios, que os levam a um nível de estresse por muitas vezes insuportável, o que acarreta a necessidade do descanso, mesmo durante a jornada.

Como não há número suficiente de profissionais para o revezamento e a cobertura do descanso voluntário a que eles se submetem, a demanda, por vezes, fica reprimida. Some-se a isso o estresse que também vêm dos próprios pacientes e, principalmente, de acompanhantes, que não toleram a espera motivada pela grande procura e, também, por situações mais urgentes como a chegada de acidentados em estado mais grave.

A má utilização das unidades de urgência e emergência por boa parte das cerca de 1.200 pessoas atendidas diariamente são ingredientes que se somam a essa precária situação e incrementam a crise da falta de recursos humanos e estruturais para um atendimento mais próximo do ideal. Outro fator que, ao longo do tempo, causa inúmeras situações constrangedoras e congestiona o atendimento, na avaliação da classe: a falta de uma retaguarda mais efetiva do Hospital de Base, que nem sempre dispõe de vagas para internação ou mesmo procedimentos cirúrgicos.

No meio dessa situação precária estão os profissionais médicos, que diagnosticaram este quadro clínico à secretária, embora não tivessem se eximindo de uma autocrítica e tivessem ido mais longe ao defender que atitudes mais severas sejam adotadas contra uma minoria de profissionais omissos ou relápsos, que existem, baixando a guarda do famoso corporativismo e dando à secretária um respaldo da categoria para atitudes mais enérgicas quando necessário, o que será feito.

Toda a discussão se deu em cima da crise apresentada com mais nitidez pelo JC na última semana, por uma carta-denúncia sobre situações no dia-a-dia dos pronto-socorros e pela cobrança da própria sociedade, que reclama com frequência.

Com o problema cada vez mais sob sua condução e com o "direito de resposta e de questionamentos" dado aos médicos, a secretária da Saúde cobrará posturas dos profissionais e tentará a busca de soluções junto aos Executivos local, estadual e federal, principalmente no que diz respeito à estrutura física e de equipamentos insuficiente nas quatro unidades, contando, também, com a atuação de conselhos do setor, parlamentares e da própria comunidade, que não deve nunca procurar uma unidade de urgência e emergência, como os pronto-socorros, quando o caso não requerer. Mas para isso, é claro, depende de receber atendimento em unidades básicas e esclarecimentos sobre o melhor uso dos PS.

Comentários

Comentários