Geral

MST

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Fazenda é desocupada de forma pacífica

Texto: Adilson Camargo

Os integrantes do movimento sem-terra deixaram ontem a Fazenda Lutétia, em Gália, após seis meses de ocupação

A Polícia Militar realizou, durante a tarde e noite de ontem, a desocupação da Fazenda Lutétia localizada a uma distância aproximada de seis quilômetros de Gália. De acordo com o delegado da cidade, João Vicente Camacho Ferrairo, a desocupação foi tensa, porém tranqüila. Segundo ele, não houve incidentes entre sem-terra e policiais. As 75 famílias que estavam acampadas no local desde o dia 16 de abril pertencem ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Para cumprir o mandado de reintegração de posse, a Polícia Militar mobilizou cerca de 340 policiais, que vieram de diferentes cidades da região. Além de Gália, os policiais contaram com reforços vindo de Marília, Assis, Garça, Jaú e de outras cidades da região. Até mesmo uma tropa da cavalaria de Marília e cães da polícia de Assis foram mandadas para o local, segundo Ferrairo. A operação foi comandada pelo tenente coronel Paulo Mangialardi, do 9º Batalhão, de Marília.

A ordem de reintegração de posse foi expedida pelo juiz da Vara Distrital de Gália, Jaime Garcia dos Santos Júnior, há mais de seis meses. A demora no cumprimento da ordem judicial, deveu-se, segundo os policiais, à falta de transporte para que fosse feita a remoção dos acampados.

A fazenda Lutétia, segundo seus proprietários, Luiz Carlos Volponi e a esposa Élcia Ferreira Volponi, já foi uma grande produtora de café. Porém, hoje encontra-se improdutiva e em processo de litígio com a Nossa Caixa Nosso Banco, por causa de dívidas que não foram pagas.

Segundo afirmou um dos líderes dos sem-terra, Odair Lopes de Oliveira, na época da ocupação, ao Jornal da Cidade, o fato da fazenda estar improdutiva e endividada com o Estado foi o que os estimulou a acamparem no local. "A fazenda está totalmente improdutiva e ocupada pelo mato. Por isso, nós viemos aqui para plantar", disse Oliveira.

Na época, ele disse também que os integrantes do movimento não iriam resistir à força policial. Segundo Oliveira, a vontade dos acampados era fazer uma negociação pacífica para a retirada do grupo, do interior da fazenda. O objetivo maior da ocupação, segundo ele, era pressionar o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária

(Incra) a produzir um laudo que atestasse a improdutividade da terra ocupada e assim torná-la passível de desapropriação.

Comentários

Comentários