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Rose Araujo
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Greve do Banespa pode prejudicar pagamento dos servidores municipais

Texto: Rose Araujo

A supervisão do banco em Bauru não soube informar se o funcionalismo público teria acesso ao salário hoje

Até as 18 horas de ontem, o pagamento dos seis mil funcionários públicos municipais estava indefinido. Devido à greve, a supervisão do Banespa não soube informar se os salários dos servidores estariam nas contas correntes hoje, data em que eles recebem os proventos. "Nós não estamos conseguindo um contato com São Paulo. O sistema está fora do ar e não está sendo possível verificar se esse dinheiro chegou", disse o supervisor da agência Rio Branco da instituição, Manoel Toledo.

De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal, os recursos para a folha de pagamento dos servidores já haviam sido enviados para o banco ontem à tarde e estava a cargo da instituição estabelecer uma maneira de colocá-los à disposição dos trabalhadores.

O diretor do Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e Região, Marcos Aurélio Silvestre, salientou que, no que dependesse dos banespianos, não haveria nenhum tipo de problema para os funcionários públicos.

"Nós estamos nos mobilizando para garantir o acesso dos servidores aos salários", disse.

De acordo com ele, os quiosques estavam abastecidos de dinheiro e os bancários estariam de prontidão para auxiliar as pessoas que não têm costume de lidar com o caixa eletrônico. "Nós não vamos deixar os clientes na mão. Entendemos que o problema é entre os banespianos e a diretoria do banco e que as pessoas em geral não devem ser penalizadas por isso", explicou.

Ele procurou isentar dos grevistas a responsabilidade pela falta de pagamento aos servidores. Disse que, se acontecesse qualquer coisa nesse sentido, isso não seria culpa dos bancários, que estão à disposição dos correntistas para este tipo de operação.

A manifestação

A greve dos funcionários do Banespa atingiu cerca de 99% da categoria em Bauru. De acordo com Silvestre, esse índice foi considerado muito bom e demonstrou que os banespianos estão realmente lutando pela causa. "Praticamente todos os funcionários aderiram ao movimento", disse.

Em Bauru, o banco possui três agências e 20 postos de atendimento, somando um total de 300 funcionários. Na região abrangida pelo Sindicato, nenhuma agência abriu suas portas em função da greve.

O primeiro dia da paralisação foi considerado tranqüilo. Não houve nenhuma intervenção policial. Os banespianos se concentraram no Centro da cidade e fizeram uma passeata nas principais vias, com carro de som e faixas de protesto. Além de estarem cobrando da diretoria da instituição a renovação do acordo coletivo, eles também estão denunciando o processo de privatização do banco, marcado para o próximo dia 20. Segundo Silvestre, ontem cerca de três mil banespianos foram até a Assembléia Legislativa de São Paulo cobrar a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC), que prevê o retorno do banco ao controle do Estado de São Paulo, e a implantação do plebiscito sobre a privatização do banco.

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