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Redação
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Personagens são venerados em Bauru

Entre a multidão que visitou ontem os cemitérios de Bauru estavam pessoas que foram pedir graças e prestar homenagens não só aos parentes e amigos mortos, mas também à personagens envolvidos pelo misticismo. No Cemitério da Saudade, o maior da cidade, o túmulo mais visitado, como já é tradição na cidade, foi o de Maria Nunes. Os outros túmulos que receberam expressiva quantidade de "devotos" foram os de Mara Lúcia Vieira e Mãe Preta.

"O católico tem fé", resumiu uma senhora ao pé do túmulo de Mãe Preta, ícone das religiões afro-brasileiras. A aparente contradição, explicada como "sincretismo religioso", talvez possa jogar uma luz sobre a maneira como os brasileiros se relacionam com suas crenças.

Ontem, no Dia de Finados, algumas pessoas que foram ao Cemitério da Saudade ver o túmulo de seus familiares e amigos aproveitaram para pedir uma ajuda para os mortos veneráveis. Pessoas que a morte ou a vida transformou em "santos" ou algo comparável. Alguns fizeram um "turismo" que pode parecer mórbido. "Não tenho parentes de sangue, mas muitos amigos. Visitei a Mãe Preta, a Mara Lúcia, que teve aquela morte horrível, o túmulo do primeiro a ser enterrado aqui, o João Henrique Dix, doador das terras onde foi feito do Cemitério", contou um aposentado de 50 anos.

A peregrinação é um círculo vicioso e o dia de maior propaganda para os "novos santos" é justamente o de Finados. Muita gente vê pessoas se aglomerando na frente de túmulos e são fisgados pela curiosidade. Resultado: alguns nem sabem muito bem quem são os personagens que veneram, mas, como todo religioso, têm fé.

Depois de rezar longamente, uma senhora é abordada pelo repórter. Maria Nunes já te ajudou em algum pedido?

"Não conheço sua história, não posso dizer nada sobre ela". Uma mulher mais velha se aproxima e sentencia: "Faz milagres, sim". Está falado. A voz do povo não é a voz de Deus?

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