A escolha do creme dental é importante para se manter um...Sorriso bonito
Texto: Gustavo Cândido
Tártaro, gengivite, periodontite. Além da cárie e do mau-hálito, são esses os principais inimigos de uma boca saudável. Eles podem ser evitados a partir da escolha correta do creme dental que vai ser usado na hora da escovação.
Higiene bucal é uma questão de beleza. Afinal, quem não quer sempre estar com um bonito sorriso estampado no rosto? Entretanto, é também um tema que envolve a sua saúde, pois pequenos descuidos repetidos ao longo dos anos podem levar até a perda dos dentes e comprometer os ossos da face.
Os dentes, a gengiva, a língua e o tecido periodontal (os tecidos que rodeiam e sustentam o dente, ligando-o ao osso de suporte) sofrem a ação lenta e insistente das bactérias, as "hóspedes" que residem dia e noite em sua boca.
Antonio Carlos Vanzo Júnior, cirurgião dentista e gerente de desenvolvimento de produtos de higiene bucal da Elida Gibbs, alerta que "estas bactérias, como a Streptococos mutans e a Lactobacillus casei, juntamente com fungos e restos alimentares, formam a placa bacteriana, uma substância esbranquiçada, facilmente removível, que se deposita sobre os dentes e as gengivas. A placa bacteriana libera ácidos que corroem o esmalte, desencadeando o processo de desmineralização dos dentes, o qual pode resultar na cárie. Quando não
é removida pela escovação, a placa pode calcificar-se e formar os cálculos, chamados popularmente de tártaro".
"Quando a placa é formada no sulco gengival, as bactérias colonizadoras desta placa irão produzir, além dos
ácidos, substâncias enzimáticas capazes de atacar as fibras periodontais e outros tecidos de suporte dental, podendo provocar inflamações, como a gengivite e, posteriormente, a periodontite", ressalta Vanzo Júnior.
O poder do seu creme dental
Já é cientificamente comprovada a eficácia do flúor no combate às cáries. Presente na
água da rede pública de muitos municípios, aplicado nos consultórios dentários e compondo a formulação da maioria dos cremes dentais disponíveis no mercado, ele atua tornando o esmalte dos dentes mais resistente.
Mas como a ciência está sempre descobrindo novas formas de prolongar a saúde integral das pessoas, outras substâncias estão sendo empregadas, principalmente nos cremes dentais, para ajudar a manter afastados outros inimigos da boa saúde bucal, como a gengivite, a periodontite e os cálculos.
Assim, além de produto de higiene pessoal, com a evolução na formulação, os cremes dentais acabam adquirindo um caráter terapêutico, com as vantagens de apresentarem sabor agradável e preço acessível. "Fazendo dobradinha com o flúor, que promove a remineralização dos dentes, essas formulações são acrescidas de substâncias que exercem novas funções, como redução da acidez da boca ou controle do desenvolvimento da placa bacteriana", esclarece Vanzo Júnior.
Novas substâncias
Entre as novas substâncias que vêm ganhando destaque na composição dos cremes dentais, a associação do Triclosan e do Citrato de Zinco é um destaque. Testes clínicos comprovaram que a utilização simultânea desses dois agentes antimicrobianos (que matam as bactérias)
é altamente eficaz na prevenção do desenvolvimento do tártaro e da gengivite. Com eles, a placa bacteriana demora a se formar e a liberar ácidos. Outra vantagem da associação do Triclosan e do Citrato de Zinco, é a ação prolongada, ou seja, o creme dental continua inibindo a formação da placa bacteriana, mesmo entre as escovações.
Lembrando que as bactérias da placa dental liberam ácidos e vivem bem neste tipo de ambiente, a acidez da boca (nível de pH) é outro ponto que pode ser controlado para inibir a presença dos microrganismos. Um eficaz ingrediente com esta função é o bicarbonato de sódio, que reduz em até 81% da acidez da boca. Além disso, o bicarbonato de sódio tem um reconhecido poder de limpeza. Porém não é recomendado escovar os dentes com bicarbonato de sódio puro em casa, pois ele é muito abrasivo nestas condições. O melhor é utilizá-lo no consultório do dentista ou através de cremes dentais corretamente formulados.
Conheça algumas doenças bucais
Além da cárie, existem outras doenças bucais comuns. Previna-se!
* Tártaro - é o nome popular do cálculo dental, sua formação é sempre precedida de depósitos de placa bacteriana, que reagem quimicamente com o fosfato de cálcio da saliva, dando origem a uma camada endurecida sobre os dentes. O tártaro dificulta a higiene oral, agindo como um facilitador da instalação da placa bacteriana. Ele deve ser removido pelo dentista.
* Gengivite - é a inflamação, aguda ou crônica, dos tecidos gengivais, que circundam o dente. Sua ocorrência está diretamente relacionada à presença da placa bacteriana no sulco gengival. Pode facilmente aparecer se existirem condições que favoreçam a retenção da placa bacteriana no sulco gengival, como cálculos (tártaro), restaurações mal adaptadas, aparelhos defeituosos, má posição dental, distúrbios nutricionais, respiração bucal, entre outros.
* Periodontite - é a inflamação que atinge os tecidos periodontais, levando à destruição desses tecidos e fazendo com que haja destruição de osso alveolar, responsável pela fixação do dente. Conseqüentemente, à medida que a doença vai evoluindo, ocorre o amolecimento do dente, devido a perda de osso. Mais tarde ocorre a queda do dente por falta de sustentação.
Um outro aspecto importante que deve ser salientado sobre a gengivite e a periodontite é de que as bactérias causadores desses doenças, além de produzirem ácidos e enzimas, irão liberar substâncias com alto teor de enxofre volátil, que possui um odor muito desagradável e será um dos causadores do mau hálito.
Você sabe escolher sua escova dental?
A escova é sua principal arma para cuidar do sorriso. Hoje em dia existe uma enorme variedade de modelos disponível nas prateleiras e é possível encontrar uma escova que melhor se adapte à anatomia da sua boca e às sua preferências pessoais, não só de cor, mas de design, textura e outras características.
Entre os principais aspectos que devem ser considerados pelo consumidor na hora de escolher uma escova, o cirurgião dentista Antonio Carlos Vanzo Júnior, aconselha, em primeiro lugar, verificar se o produto tem aprovação da Associação Brasileira de Odontologia. A adequação à idade é outro ponto importante: "Não se deve usar em crianças escovas de adulto, por causa das diferenças na anatomia da boca", diz.
O cabo deve ser anatômico e proporcionar uma empunhadura confortável durante a escovação. Já o tamanho da cabeça deve ser adequado à anatomia bucal de cada um, proporcionando que a escova chegue a todas as partes da arcada dentária, mesmo naqueles lugares mais difíceis, como a face distal - voltada para trás da cavidade oral - dos últimos dentes.
Macias ou médias?
As opções também se estendem às cerdas, parte da escova que fica diretamente em contato com os dentes e as gengivas. Vanzo Júnior recomenda as macias, que possuem poder de limpeza com menor abrasão do esmalte e outras estruturas dos dentes e das gengivas. "Não é errado preferir as cerdas médias, mas não deve ser aplicada muita força na escovação, alerta, para evitar uma remoção excessiva do esmalte dos dentes". A altura das cerdas também pode variar. Alguns designs, inclusive, apresentam cerdas com alturas diferentes e vários ângulos da cabeça da escova para melhor alcance dos dentes do fundo e de outras áreas de difícil acesso.
A hora da troca
Laura D'Ottaviano, cirurgiã-dentista, pesquisadora em odontologia na Unicamp e consultora no desenvovimento dos produtos Close-up, Signal e Gessy Cristal, recomenda que as escovas sejam trocadas a cada três meses. Não é necessário, entretanto, anotar na agenda quando "inaugurou" sua
última escova. Os sinais de que seu tempo de vida esgotou são visíveis: "O mais forte é que o arredontamento das pontas das cerdas se mantém por aproximadamente três meses. Depois disso, é fácil notar a deformação das pontas, que passa a comprometer a qualidade da escovação.
Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), o consumo anual per capita de escova dentes no Brasil é de apenas 0,7 unidade, e apenas 29% da população brasileira declara
trocar a escova de dente a cada 3 meses, conforme é recomendado pelos dentistas.
Escove os dentes da forma correta
* Molhe a escova com água e coloque um creme dental de qualidade
* Coloque as cerdas da sua escova entre a gengiva e o dente, inclinadas aproximadamente a 45º.
* Pressione as cerdas suavemente, fazendo movimentos de vai-e-vem.
* Escove primeiro o lado de fora dos dentes de cima. Em seguida, o lado de dentro. Depois os dentes de baixo na mesma ordem.
* Mude a posição da escova para escovar o lado de dentro dos dentes da frente, como se estivesse varrendo da gengiva até a extremidade do dente.
É importante lembrar que além da escovação
é preciso complementar a higiene bucal com o uso do fio dental, cuidar da alimentação, reduzindo a ingestão de açúcar e visitar periodicamente o dentista.
Fonte: Depto. de Desenvolvimento dos Produtos de Higiene Bucal da Elida Gibbs