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Tilibra

Paulo Toledo
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Tilibra busca crescimento real

Texto: Paulo Toledo

Para obter um maior faturamento no mercado nacional, a empresa busca aumentar a venda de produtos com maior valor agregado

O reajuste no preço internacional do papel , na ordem de 25%, e o fato da empresa bauruense Tilibra optar por algumas linhas de produtos com valor agregado mais alto, devem trazer um aumento de faturamento para a atual safra da volta

às aulas, que está em sua oitava semana e se estende até meados de fevereiro. Caio Coube, diretor-presidente da Tilibra, acredita em um crescimento real no faturamento, mas evita fazer estimativas, além do repasse do aumento do papel.

Apesar da sazonalidade, Caio Coube diz que não existe problema de demanda, uma vez que a população estudantil brasileira está crescendo. Em seis semana da safra, a Tilibra já havia atingido 35% da previsão de vendas do período.

O diretor-presidente disse que a empresa, como todas as outras do setor, estão trabalhando a todo o vapor para atender à demanda da temporada. Apesar do aumento do faturamento, o volume de produção para este ano é semelhante ao do ano passado, quando foram comercializadas 20 mil toneladas.

Porém, o foco vem sendo a produção de produtos de maior valor agregado, que atingem preços melhores no mercado. "É claro que, sempre, a intenção da Tilibra é aumentar o volume de vendas. Mas, isso só se saberá conforme as equipes de comercialização forem apresentando os resultados."

Para avançar no mercado, a empresa vem buscando apresentar novidades em suas linhas. Por exemplo, todos as brochuras de personagens infantis, como Mickey, Barbie, Pokémon, Digimon, entre outros, virão com uma cartela

"recorte e cole", em papel couche, para as crianças se divertirem. "São iniciativas que visam aumentar o valor oferecido pelo produto", afirma, lembrando que a Tilibra tem cerca de 7 mil empresas para as quais fornece. Exportação bateu recorde em 2000

As exportações da Tilibra, neste ano, chegaram a US$ 15 milhões, batendo o recorde de US$ 12 milhões obtido há dois anos. Desse total, 80% ainda é destinado aos Estados Unidos e o restante para a América Latina. Há 20 anos a empresa trabalha no mercado internacional.

Neste momento, a conjuntura internacional está favorável à Tilibra em relação

às vendas para outros países. Caio Coube lembra que o preço do papel no Brasil está ligeiramente mais baixo do que no mercado internacional, além de contar com um câmbio que também ajuda.

Na semana que passou, a Tilibra participou da Expo Libreria, na Argentina, outro mercado que a empresas vem trabalhando de forma mais intensa, em sua quinta temporada. A safra dirigida àquele país é no mesmo período que a brasileira. Porém, a empresa também já está disponibilizando uma linha diferenciada de produtos, para conquistar o consumidor.

A Tilibra tem a licença dos times de futebol Boca Juniors e River Plate, além dos personagens Mickey, Minie, Dalmatas, entre outros. Com isso, a empresa já conseguiu adquirir uma importância para o comprador profissional e para as redes de auto-serviço, já que naquele país a distribuição é baseada em rede de supermercados e atacadistas especializados em papelaria, uma vez que os fabricantes não vendem diretamente para as pequenas e médias papelarias.

Hoje, são 600 clientes responsáveis pela distribuição para todo o País, destaca Caio Coube, que esteve participando da feira. Antes da viagem, o diretor-presidente se mostrou apreensivo com a economia argentina. Um outro ponto é a inadimplência lá, que é maior que a do Brasil. Por não haver cobrança bancária e os pagamentos serem feitos em carteira, o não-pagamento médio chega a 25%, contra 10% no Brasil. "Esses 10% aqui são de atraso, que você consegue cobrar. A perda anual chega a menos de 1%. Na Argentina é difícil cair de 25% os atrasados a receber. As perdas anuais, aquilo que

é impossível de cobrar, ficam próximas a 5%", ressaltou, lembrando que, hoje a Tilibra já é a terceira maior vendedora de cadernos daquele país. Vale lembrar que os produtos para a Argentina têm características diferentes dos produzidos para o mercado nacional.

Neste mês, entre os dias 15 e 18, a empresa vai participar com um estande na Shopa, feira de materiais escolares dos Estados Unidos que, pela primeira vez, será realizada em Miami, na Flórida. Apesar da volta às aulas para os norte-americanos ser em agosto e, com isso, a produção destinada àquele país ser na entressafra brasileira, a feira é realizada com toda essa antecedência. Uma boa participação nesta feira pode melhorar a o desempenho industrial do quadrimestre março a junho.

A empresa está apostando na chamada

"safra norte-americana" para aumentar seu faturamento. Caio Coube destaca que a intenção é passar a fornecer uma maior quantidade de produtos com maior valor agregado. O desafio é se tornar suficientemente atraente para que os distribuidores daquele país comprem da Tilibra e não das empresas do oriente.

A empresa é fornecedora da Staple's, uma das três maiores empresas distribuidoras do mercado daquele país. Além disso, lojas de US$ 1,00 e redes drugstores (misto de farmácias e armazéns), redes de lojas de descontos, como a K-Mart (tem 2 mil lojas nos EUA), também são revendedores da Tilibra.

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