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Pichações

Fabiano Alcantara
| Tempo de leitura: 3 min

DIG investiga autoria de pichações

Texto: Fabiano Alcantara

Delegado diz que existe investigação na área das pichações; pena para o crime, quando envolve patrimônio público, varia de seis meses a três anos

A Delegacia de Investigações Gerais está investigando (DIG) está investigando a autoria das pichações que tomaram conta da cidade. De acordo com o delegado-titular da DIG, J.J. Cardia, a Polícia Civil pretende levantar o nome dos pichadores para que a Justiça os responsabilize criminalmente. A ação dos pichadores está tirando o sono de zeladores de prédios da área central.

Cardia disse que os casos de pichação haviam diminuído há dois meses, quando a DIG teria descoberto o nome de alguns pichadores, mas voltaram com força recentemente.

A pichação se enquadra nos crimes de dano e dano qualificado e na Lei Ambiental 9.605/98, artigo 65. A pena prevista para dano simples é de um a seis meses e multa e para dano qualificado é de seis meses a três anos. O dano refere-se

às pichações em locais particulares e o dano qualificado aos locais públicos e empresas concessionárias do serviço público.

O artigo 65 da Lei 9.605 diz que "pichar, grafitar ou por outro meio conspurcar (sujar, manchar, enodoar, corromper, profanar ou macular) edificação ou monumento urbano"

é crime cuja pena é de três meses a um ano de prisão. Se a edificação for monumento ou tiver sido tomada pelo patrimônio histórico a pena é de seis meses a um ano de prisão, mais multa, de acordo com J.J. Cardia.

O delegado disse que dois a três boletins de ocorrência envolvendo pichações são enviados para a DIG por mês. Os boletins mandados para a DIG são os que a autoria é desconhecida. Com base nas investigações, a delegacia tenta descobrir os autores dos crimes. Cardia aconselhou as pessoas que forem vítimas da pichação a registrarem Boletim de Ocorrência.

Sem dormir

O zelador do edifício Garagem, que fica na quadra 7 da rua Bandeirantes, reclamou que está tendo que passar todas as noites e madrugadas em claro, desde que os pichadores de Bauru elegeram o prédio como um dos principais alvos da ação. Para deixar sua marca no prédio, os pichadores sobem pelo telhado de uma casa vizinha.

"Não tenho dormido mais. Eles andam em grupos de seis, sete pessoas. Outro dia, eu vi no chão falando de celular com outro que estava em cima", disse o zelador do Garagem, Eriberto Ribeiro de Oliveira.

Ele disse que trabalha há mais de um ano no local e só há um mês passaram a pichar o local com frequência.

"Já está na hora da polícia fazer alguma coisa. Eles estão emporcalhando a cidade toda", reclamou.

No edifício Comercial, onde um pichador deixou sua marca

- de modo que pode-se ver de praticamente toda a extensão da rua Batista de Carvalho e em vários pontos da cidade

- os zeladores ficaram intrigados.

Segundo eles, o pichador deve ter entrado escondido e dormido no prédio para conseguir o feito. A história bate com o relato de Y., pichador localizado pela reportagem do JC na semana passada e que teve sua entrevista publicada anteontem.

No relato de Y., autores de pichações em locais de muito destaque, passam a ficar com prestígio entre os outros pichadores.

Os zeladores do edifício Comercial disseram que a pichação aconteceu no mês passado. Eles pediram para não ter o nome publicado. "Isso é coisa de molecada", disse um deles. O zelador do Garagem também acha que os pichadores sejam, na maior parte, adolescentes e vai além dando a descrição da tribo. Eles usam tênis sofisticados - para subir nos telhados e correr com facilidade

- bermuda, camisas escuras, boné e mochila nas costas", revelou.

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