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Cesta básica

Paulo Toledo
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Cesta básica de Bauru custa menos que em SP

Texto: Paulo Toledo

Pela primeira vez, desde julho de 99, quando a cesta básica passou a ser medida por pesquisa realizada pela Faculdade de Ciências Econômicas da Instituição Toledo de Ensino

(ITE), para o Data-ITE, o valor em Bauru, que atingiu R$ 134,66, em outubro, é menor do que o preço cobrado na Grande São Paulo, que no mesmo período custou R$ 139,58, numa diferença de 3,5%. Aliado a isso, o preço mínimo cobrado pela cesta nos supermercados de Bauru teve uma queda de 6,37% em relação a setembro, quando atingiu R$ 143,82. No último bimestre, a queda chega a 11,15%, uma vez que o valor de agosto atingiu R$ 151,55.

De acordo com a pesquisa, realizada em dez supermercados de Bauru, coordenada pelos professores Jacques Vervier e Reinaldo César Cafeo, o grupo alimentação, que apresentou queda de 7,07%, teve seu peso reduzido para 69,1%, em outubro, contra 69,59% do valor total da cesta, numa variação de 0,49 ponto percentual, no mês de setembro.

O grupo de limpeza doméstica teve redução de 2,7% e representou 19,9% do valor total da cesta, contra 19,14% do mês anterior. Os produtos de higiene, que tiveram uma queda de preços de 8,2%, aparecem com peso de 11 %, contra 11,27% de setembro.

A interpretação da pesquisa é de que a queda dos preços da cesta básica nos supermercados de Bauru é uma volta à normalidade, após forte alta de preços ocorrida nos meses de julho e agosto. Porém, adverte Reinaldo Cafeo, é importante destacar que o valor mensal da cesta básica é diferente do diário, que pode sofrer oscilações diferentes das apontadas na pesquisa.

Cafeo diz que o melhor caminho para o bauruense ainda é a pesquisa, uma vez que em apenas um supermercado o cliente não consegue encontrar todos os produtos no preço mínimo.

"A pesquisa é o melhor caminho, já que a discrepância

é muito alta entre algumas empresas", destacou.

Em outubro, na Grande São Paulo, o valor mínimo da Cesta básica teve uma queda de 0,67%, passando de R$ 140,52 para R$ 139,58, segundo o Dieese. Pela primeira vez desde que o Data-ITE começou a fazer a medição, em julho de 99, o valor constatado em Bauru (R$ 134,66) é menor do que o da Capital, num percentual de 3,5%.

Para Cafeo, a concorrência entre os supermercados da cidade, impulsionada pela instalação de novas lojas é que pode ter aproximado os preços de Bauru como o de São Paulo. "É a internacionalização do nosso mercado, com as empresas fazendo compras que estão aproximando os valores de Bauru com o da Capital", destacou Cafeo.

As maiores quedas verificadas pela pesquisa no grupo alimentação foram: açúcar (36,26%), batata (48,28%) e salsicha

(16,04%). Enquanto isso, as maiores altas foram: cebola (16,95%) e margarina (15,25%).

A pesquisa é realizada em dez supermercados de diversas regiões da cidade, sem que ocorra repetição de dois da mesma rede. Estão incluído 31 produtos, das marcas mais consumidas em Bauru, de acordo com pesquisa realizada anteriormente.

Uma das principais conclusões da pesquisa comprova a velha tese de que o consumidor deve estar muito atento na hora de comprar, pois entre os preços mínimos e máximos dos mesmos produtos há diferenças de 457%. "Isso mostra que o consumidor deve estar atento ao preço dos produtos. Pesquisar ainda é o melhor caminho", aconselha Cafeo, que também é delegado regional do Conselho Regional de Economia (Corecon).

O valor base adotado é o da segunda semana do mês, no caso de outubro, mesmo critério utilizado pelo Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas

(Dieese). A cesta do Dieese é bastante generosa; 15 Kg de arroz, 4 Kg de feijão e 10 sabonetes por mês para quatro pessoas.

A metodologia adotada pela ITE é a mesma usada para apuração da cesta básica na Capital, por meio de um convênio entre o Dieese e o Procon. Isso faz com que se tenha, inclusive, uma base de comparação.

O valor mínimo total da cesta em Bauru é a soma dos menores preços encontrados nos dez supermercados. Isso não significa que o consumidor vai conseguir encontrar esse total se comprar em apenas um estabelecimento.

Metodologia

Para definir a cesta básica, foi utilizada a lista de produtos de alimentação, limpeza doméstica e produtos de higiene pessoal definida pela pesquisa do Dieese-Procon para Grande São Paulo. Para o cálculo dos índices, foi utilizada a fórmula de Laspeyre com ponderações fixas de médias das marcas mais freqüentemente consumidas aqui em Bauru, em preços absolutos (reais correntes); utilizou-se o mesmo Questionário de Levantamento de Preços e o mesmo Manual do Pesquisador, elaborados pelo Dieese e Procon, já mencionados.

De acordo com os critérios do Dieese, o valor final da cesta básica é a soma ponderada dos menores preços encontrados nos diversos supermercados. Quem quiser comprar a cesta nesse preço deverá percorrer todos os estabelecimentos para comprar o que cada um oferece no melhor preço. Os resultados serão apresentados mensalmente através de tabelas.

O levantamento dos preços da cesta básica faz parte do banco de dados da Faculdade de Ciências Econômicas da ITE, o Data-ITE.

Centro tem menor preço

Por regiões, a pesquisa do Data-ITE verificou que a Zona Central apresenta o menor valor para a cesta básica, com R$ 152,94. O maior valor está na Região Norte, com R$ 176,51, numa diferença de 13,35%.

Em relação ao Centro, o valor encontrado na Zona Sul da cidade - R$ 163,02 - é 6,59% maior. Esse índice sobre para 11,44% na Zona Oeste - R$ 170,44. O segundo valor mais alto por região vem da Zona Leste, onde chega a R$ 174,36, ou seja, 14% a mais do que no Centro.

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