A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) determinou às chefias dos Prontos-Socorros uma conduta mais rigorosa em relação aos médicos plantonistas que atendem nas unidades. A titular da pasta, Eliane Fetter Telles Nunes, disse que foi instituído o fim do "coleguismo", no sentido de que horários de entrada e permanência nas unidades durante a jornada de trabalho sejam cumpridos à risca. A medida, segundo a secretária, busca o fim das reclamações que chegam informalmente ao seu conhecimento. Ela conta que quando assumiu a pasta, em 1998, o problema era bem mais intenso nos PSs. "Sabíamos que os atrasos no horário de entrada nos plantões eram constantes, prejudicando os médicos que estavam de saída (enquanto a próxima equipe não chega, a que está de plantão não pode deixar o serviço), como também tínhamos conhecimento de que plantonistas deixavam o posto para cumprir atividades pessoais. De lá para cá, a situação melhorou consideravelmente, mas as reclamações que chegam até nós deixam claro que o problema ainda não foi sanado por completo", reconheceu. Na reunião que teve com os plantonistas dos PSs - motivada pelas denúncias sobre a má-conduta de vários desses profissionais -, Nunes já havia deixado claro que não iria mais admitir "brechas" para novas reclamações. Na seqüência, comunicou sua decisão às chefias dos Prontos-Socorros para que todas as falhas fossem relatadas a partir de então. "Os problemas não chegavam oficialmente por conta do coleguismo. Um não queria 'dedar' o outro, mas eu deixei bem claro que não se trata de uma perseguição, mas de um instrumento para garantir a qualidade dos atendimentos. A partir de agora, se um médico chegar atrasado porque teve problemas com o emprego paralelo, a chefia terá de relatar o motivo formalmente, assim como o terá de fazer se o atraso ocorreu por conta de um problema com o filho. Dessa forma, estaremos evitando justificativas informais de que a eventual falha foi ocasional. Qualquer reclamação que tiver procedência comprovada a partir de agora será respondida tanto pelo plantonista quanto pela chefia que deixou de informá-la a mim", avisou.A nova ordem teria sido bem recebida pela maioria dos plantonistas, mas já quem tenha discordado. Nos bastidores, comenta-se que pelo menos um dos médicos que atendem no PSs Central revelou intenção de se exonerar da função por conta do rigor imposto. "Acho que todos entenderam bem o recado. A melhor saída para quem não puder cumpri-lo é realmente se desligar, porque o nosso único objetivo é fazer o serviço funcionar adequadamente. Obviamente que não vamos dizer quando e onde, mas certamente estaremos fiscalizando o andar das coisas", adiantou. O Conselho Municipal de Saúde também está fiscalizando os atendimentos nas unidades de urgência e emergência. Na última semana, membros do organismo estiveram nos PSs Central e do Mary Dota. O relatório sobre o que viram e constataram será entregue em reunião agendada para amanhã.
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