De cultura e de política, todo louco sabe um pouco. E é assim que vamos fazer esta re-volta. Isso mesmo, estamos de volta com os nossos artigos sobre as coisas da cidade. De imediato um assunto que gera polêmica, pois as opiniões são deveras divergentes. A política cultural da cidade continua a mesma, e vou mais fundo: a falta da mesma continua sendo a nossa política cultural. Não por culpa de servidores públicos, prefeitos, empresários ou agentes culturais, mas por descuido de todos estes, inclusive meu. Já que o ano todo ficou parado de carnaval, voltemos à velha tecla: o que falta para a explosão cultural da sem limites? Quase tudo ou quase nada, poderíamos dizer. De imediato (outra vez) vamos a algumas concretudes: Nilson Costa é o prefeito de fato e de votos; os equipamentos culturais são fartos e estão disponíveis; e há vontade generalizada de prazer cultural (dos produtores e do público). O que falta, então? Creio que uma boa dose de ação política, concreta e objetiva, para retomarmos o caminho artístico que já consagrou Bauru em outros tempos.Vamos puxar uma carta do baralho: Biblioteca Municipal Rodrigues de Abreu, eis a questão. Meses atrás, este equipamento cultural ganhou casa nova, com direito a coquetel, discursos e tudo mais. Porém, os velhos e acabados problemas estão de volta. Acervo antigo; funcionários sem reciclagem; falta de organização e informatização; e excesso de barulho são alguns pontos indicados por "ratos de biblioteca" que circulam pela Municipal. Vamos à outra carta: teatro, pois é... teatro! A conversa (puramente informal) aconteceu em capítulos na Fazendinha do JC, em plena Expo-Bauru. Jurandir Bueno traçou os próximos passos para uma Bauru mais cultural. Coisa pra colocar a cidade nos trilhos, poderíamos dizer. Veríssimo Barbeiro lançou projetos no ar, sem medo de demarcar o espaço do bom teatro. Renato Zaiden tratou de disponibilizar um farto e expressivo equipamento de comunicação, só para ver Bauru crescer. E bota fermento nisso.Dois lados da mesma moeda. É certo que a frase é antiga e os problemas idem, mas parece que a história pode ser outra. Pelo menos, a percepção das pessoas é outra. Falando o bom português, é preciso mais, muito mais do que boa vontade dos políticos. É preciso que a sociedade ocupe seu espaço nas rédeas do poder. Saber fazer é a questão. E quem duvida que em Bauru há pessoas que sabem fazer... e bem?Sugiro que o prefeito Nilson Costa observe a complexa máquina da Secretaria Municipal de Cultura por dentro e a transforme em um organismo aberto à comunidade. Claro que o público pode entrar no Centro Cultural, no entanto, não basta ser do bem, é preciso participar mais. Um primeiro passo poderia ser a instalação (de fato) do Conselho Municipal de Cultura, órgão formal responsável por dimensionar a política cultural do Município. Desburocratizar os trabalhos na área seria outro passo importante, para que agentes culturais pudessem conviver mais com a ação cultural e menos com papéis. Democratizar a verba da Secretaria deveria ser ponto pacífico, optando-se por reservar verba exclusiva para o carnaval. E este último, o reinado de momo, deveria, no mínimo ser revisto... muito bem revisto e redimensionado. A problemática da verba não é segredo para ninguém: se não tem, busque-se na iniciativa privada ou nos governos estadual e federal.Há tantas outras coisas a se fazer e se o prefeito quiser saber mais, é só perguntar ao Jurandir, ao Veríssimo e ao Renato. De resto, ficamos na torcida e na ação, só para ver a Bauru cultural do século XXI, contanto com uma certeza: os projetos culturais da iniciativa privada têm dado certo. Quem quer uma carona?(*) Reginaldo Tech é professor do departamento de Ciências Humanas da FAAC/Unesp-Bauru
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