Além dos efeitos imediatos, anfetaminas e anabolizantes provocam reações a longo prazo, muitas vezes irreversíveis. Estimativas do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), nas 24 maiores cidades de São Paulo, apontam que 183 mil pessoas já usaram anfetamina pelo menos uma vez como droga de abuso. No caso dos anabolizantes, o número estimado de consumidores é de 96 mil. Quando usada sob orientação médica, a anfetamina é indicada para pacientes que desejam perder peso. A droga age sobre o sistema nervoso central, inibindo o apetite. Segundo Elisaldo Carlini, diretor do Cebrid, em altas doses e sem orientação médica, o medicamento provoca insônia e irritabilidade. "Dependendo da dose, pode causar alterações mentais como confusão, delírio e até alucinações em casos extremos." Sob a ação da anfetamina, as pupilas se dilatam, a pressão arterial sobe e o número de batimentos cardíacos aumenta. Em algumas pessoas, as mãos tremem. "Com o uso contínuo, vem a tolerância e a necessidade de tomar doses maiores para conseguir os mesmos efeitos", explica Carlini. A anfetamina causa dependência e provoca reações quando deixa de ser consumida - sonolência, náusea e mal-estar. "É muito difícil parar de tomar a droga, pois ela transforma-se em uma espécie de muleta psíquica, sem a qual o indivíduo se sente menos capaz e mais inseguro." Modificações indesejáveis Quem usa anabolizantes quer aumentar a massa muscular, mas acaba sofrendo outras modificações bastante indesejáveis. Além de induzir comportamento agressivo, os anabolizantes também causam dependência. "Quando a pessoa pára de tomar a droga, sente-se deprimida", afirma Elisaldo Carlini, do Cebrid. O especialista acrescenta que, em geral, quem usa anabolizantes está constantemente descontente com o corpo. Os efeitos colaterais dos anabolizantes vão desde acne até tumores. Nos homens, a droga causa atrofia dos testículos, diminuição do número de espermatozóides ou até desaparecimento completo deles e crescimento de mamas. Nas mulheres, a voz fica mais grossa, aparecem pêlos no rosto e os seios diminuem de tamanho. Insuficiência cardíaca, tumor no fígado e nos rins são outras complicações que podem atingir ambos os sexos. Orientação profissional é fundamental para a realização de exercíciosQualquer que seja a meta de uma pessoa que pretende iniciar uma atividade física, é necessário o auxílio de um profissional. Esse tipo de orientação é fundamental para que o resultado seja positivo.De acordo com o professor de musculação Luigi Marino Neto, é possível modelar o corpo da maneira como se deseja unindo os exercícios com a alimentação. Ele explicou que a pessoa pode conseguir músculos mais desenvolvidos, modelar o corpo, manter a resistência sem que seja necessário o uso de anabolizantes, anfetaminas ou qualquer outro tipo de droga. "Um professor jamais recomenda o uso de anabolizantes", afirmou.Marino Neto disse que não há dúvidas de que o uso de anabolizantes prejudica a saúde e contou que, mesmo sabendo disso, há pessoas que continuam usando.O professor salientou, ainda, que o mito de "quanto mais melhor", não é real. O organismo tem um limite e, de acordo com ele, a quantidade de horas de exercícios não tem o efeito que se imagina. "Cada pessoa tem o seu ritmo. Não adianta uma pessoa que está iniciando a prática de exercícios ficar 4 horas na academia. Os exercícios devem ser moderados e realizados com perfeição", explicou. O normal, segundo Marino Neto, é praticar exercícios de três a quatro vezes por semana e de uma a uma hora e meia por dia.Os suplementos vitamínicos são recomendados aos atletas, de acordo com o professor. "Os atletas são aqueles que têm o esporte como profissão, e como treinam várias horas por dia e muitas vezes não têm tempo de ter uma boa alimentação, devem complementá-la com suplementos vitamínicos, mas sempre com uma orientação profissional", ressaltou. "Hoje eu me arrependo"O lutador de jiu-jitsu M.P.R.S., 27 anos, que prefere não ser identificado, confessou que não está contente com os resultados que adquiriu com o uso de anabolizantes. Exibindo seus músculos avantajados, ele contou que toma a droga há 9 anos. "Eu comecei a tomar anabolizante porque meus amigos já tomavam e eu queria ser forte como eles, mas hoje me arrependo, porque sou novo e não sei se vou poder ter filhos", disse.Preocupado com seu desenvolvimento sexual, o lutador procurou um médico para encontrar uma resposta e ficou sabendo que o uso das drogas estava interferindo na produção de espermatozóides e no desejo sexual, mas mesmo assim não deixou de ingerir os comprimidos que, habitualmente, toma. "Já faz tanto tempo que eu tomo, tenho medo de parar agora e ficar com corpo feio. Tenho medo sim, porque o médico me disse que isso poderia ser irreversível e talvez eu não possa mesmo ter filhos, mas ainda tenho que pensar no que vou fazer", comentou.Ele disse que quando começou a tomar anabolizantes ficou sabendo que fazia mal à saúde, mas não deu muita importância. "Me disseram que isso podia acontecer, mas eu não acreditei. Hoje eu me arrependo", finalizou.
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