Quem não se lembra quando em algumas ruas de nossa cidade os carroceiros tinham um "ponto" e dali tiravam o sustento de sua família; vieram as caçambas de entulhos e lá se foi o grosso do serviço. Quem não se lembra da nossa famosa escola de datilografia; veio o progresso e com ele as escolas de informática. Enfim, vários exemplos poderiam ser dados, mas parece que agora a bola da vez é a casa lotérica.É visível o ciclo das agências bancárias chegando ao fim, tamanha a transferência de serviços. Como se não bastasse o espanto da sociedade quando tempos atrás foram divulgados os lucros dos bancos; agora, eles vêm querendo ganhar mais e mais. Impossibilitados de terceirizar dentro das agências as atividades-fins, encontraram o meio. Não se assustem se amanhã as casas lotéricas estiverem descontando cheques, como são criativos é rapidinho para instalarem um programa: CPF/Agência/Enter; pronto, estão na tela as assinaturas para conferência.Nada contra as caçambas, nada contra as escolas de informática e nada contra as casas lotéricas, mas com o crescente desemprego estrutural e a inércia das autoridades competentes que teimam em não investir em produção somada à subserviência ao FMI, o simples ato de fazer uma fezinha, pagar uma conta de luz ou telefone, pode tornar-se uma loteria permanecer vivo. (Elias Brandão - RG. 526.516)
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