Treze portadores de deficiência visual estão fazendo curso de informática em Bauru graças a uma parceria de empresários da cidade com o Senai. Com o curso, eles estarão aptos a fazer trabalhos de digitação de texto, acessar a Internet e, inclusive, enviar e receber mensagens através do correio eletrônico. O curso de informática, solicitado pelo Centro de Apoio ao d/Eficiente (Cad/E), é considerado umas das formas de facilitar a inclusão dos deficientes no mercado de trabalho.O curso, que vai durar um mês, está sendo oferecido de graça aos deficientes visuais numa parceria do Senai, Disbauto, Banco Ford, e Grupo Prata. Dos 13 participantes, dois já estão empregados: um irá trabalhar no setor de pós-venda da Disbauto e outro, no escritório político do deputado estadual Carlos Braga. Ontem era o quarto dia do curso e vários dos participantes já estavam conseguindo digitar frases completas com certa agilidade. O curso é especialmente preparado para portadores de deficiência visual. Para isso, foram trazidas para Bauru uma unidade móvel formada por oito computadores pertencente ao Senai de Lençóis Paulista.Nos computadores estão instalados dois programas com recurso de voz: o DOS-VOX e o Virtual Vision. O primeiro foi desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em parceria com a Katia-Multimídia. Já o segundo foi desenvolvido pela Fundação Bradesco em parceria com a Micropower. Esses programas auxiliam muito os deficientes visuais porque o usuário é informado, através do som, qual tecla apertou. Se ele apertou a tecla certa, prossegue; se não estiver correta, deleta aquela letra e prossegue. Ambos os programas podem rodar em qualquer computador multimídia, não necessitando de nenhuma adaptação especial.A turma está apreendendo Windows e Word, mas Adriana M. Scavacini, monitora do Senai para os cursos, disse que os dois programas também possibilitam aos deficientes visuais utilizar o Excel e a Internet. O mais importante, destacou, é que o deficiente visual estará utilizando um teclado normal, e não em braile, como é o mais comum.Daniel Garcia Alonso, diretor da Disbauto e um dos organizadores da parceria, lembrou que a legislação prevê que as empresas tenham em seu quatro de funcionários de 2% a 5%, dependendo do número total de empregados. Ele disse que a Disbauto vai contratar um dos 13 alunos do curso para o atendimento ao cliente pós-venda e acredita que terá bons resultados. Adriana, que acompanha a unidade móvel do curso de informática do Senai, disse que o desempenho dos profissionais com deficiência visual é até maior que o dos demais. Isso porque, conforme explicou, o deficiente visual é mais compenetrado no trabalho, dá muito valor aquilo que aprende em função das dificuldades que enfrenta.Iara C. Pascoalini, 17 anos, estudante do ensino médio, que já utiliza o computador para fazer trabalhos de escola, é uma das alunas mais adiantadas do curso. Ela elogiou o programa, que facilita a vida do portador de deficiência visual e disse que, apesar de não ser tão fácil digitar texto, também não é muito difícil. Outra aluna, Maria Aparecida Herrera Said, 42 anos, que tem 30% de visão, afirmou que o programa criado especialmente para os portadores de deficiência visual ajudam muito. Ela, que também já utilizava o computador normal, explicou que com o recurso da voz é muito mais fácil e reduz em muito a possibilidade de erro na digitação.LegislaçãoConforme informou o CAd/E, a Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, determina que as empresas são obrigadas a ter em seus quadros de funcionários de 2% a 5% de pessoas portadores de deficiência, dependendo do número total de funcionários. As empresas de Bauru já estão sendo notificadas e, a partir do próximo ano, terão que cumprir a lei.
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