Geral

Rede pública de Saúde

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Conforme o JC havia antecipado na semana passada, a Secretaria Municipal de Saúde, DIR-X e o Centrinho confirmaram ontem uma parceria que, a médio prazo, deve pôr fim ao problema da falta de médicos otorrinolaringologistas na rede pública de Bauru. A partir de hoje, uma equipe formada por especialistas e médicos residentes na área retoma os atendimentos que praticamente inexistiram nos últimos dois anos. O Ambulatório de Especialidades, mantido pelo Estado, era quem oferecia tratamento aos problemas de ouvido, nariz e garganta, mas está sem profissionais há mais de dois anos. Segundo o titular da DIR-X, Flávio Baddim Marques, "os que haviam se aposentaram e o Estado não promoveu as devidas substituições". De lá para cá, a única referência pública de atendimento na área de otorrinolaringologia vinha sendo o Ambulatório de Saúde do Trabalhador, órgão municipal que dispõe de apenas um especialista e que, em tese, deveria atender somente os casos envolvendo trabalhadores. "Em função da crise, abrimos para que esse otorrino passasse a atender as urgências e emergências, mas os tratamentos eletivos estão parados", disse a secretária municipal da Saúde, Eliane Fetter Telles Nunes. Para se ter um a idéia, existem pacientes aguardando por uma cirurgia desde 1998.Já de início, a parceria deve minimizar o problema, atendendo prioritariamente a demanda reprimida de cirurgias. São 73 pacientes na fila que estão sendo chamados a fazer uma reavaliação a partir de hoje. "Não dá para partirmos de cara para a cirurgia, até porque não sabemos qual a situação atual do quadro, se o diagnóstico é realmente o mesmo", considerou a titular da SMS. A equipe de médicos, composta inicialmente por quatro especialistas e dois residentes na área, prevê um atendimento diário de 20 pacientes (ambulatorial) e quatro cirurgias por semana (provavelmente às quartas-feiras). O número de médicos residentes deve saltar para quatro a partir do ano que vem. "Estes que iniciarão o trabalho já estarão no segundo ano, e uma nova turma deve começar o curso. Até 2002, essa equipe deverá estar contando com seis residentes, além dos coordenadores, que sempre estarão na retaguarda dos atendimentos", informou Arakem Fernando Carneiro, da equipe de coordenação do Centrinho e um dos mais renomados otorrinos de Bauru. Os atendimentos continuarão a ser realizados no Ambulatório de Especialidades, sempre a partir de um encaminhamento feito por médicos das unidades básicas da rede municipal. Enquanto o Estado cede o espaço, a SMS "entra" na parceria com o compromisso de adquirir equipamentos e, obviamente, com a demanda. Ao Estado, também, caberá a cessão de centro cirúrgico no Hospital de Base para as intervenções necessárias. Pelo que se sabe, esse foi o último entrave derrubado para a confirmação da parceria. A Associação Hospitalar de Bauru (AHB), segundo comentários extra-oficiais, só aceitaria ceder o espaço se a equipe do Centrinho viesse a integrar o corpo clínico do hospital. Verdade ou não, o certo é que a parceria só foi confirmada depois da incorporação da equipe ao HB. O diretor clínico do Centrinho, Luiz Fernando Ribeiro, disse que o convênio demorou para ser firmado porque havia necessidade de se preparar os médicos residentes. "Tínhamos que garantir capacidade de resolutividade", disse, justificando a comentada demora. Flávio Baddim Marques resumiu a parceria como uma colaboração em prol da melhoria dos problemas públicos de saúde, entendendo que outras iniciativas do tipo seriam igualmente bem-vindas. "Pelo menos já temos um avanço bastante grande em termos de procedimentos cirúrgicos ou casos mais complicados", avaliou.

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