Só agora, no ano 2000, a filha de Frank Sinatra abriu o jogo para a imprensa: "Nas eleições presidenciais de 1960/61, o velho Joseph Kennedy procurou o meu pai e disse: Quero que meu filho se torne presidente dos Estados Unidos. Peça aos seus amigos da Máfia que dêem uma força. Papai imediatamente recorreu ao chefão que era seu amigo. Il capo di tutti capo reuniu a família e ordenou: o pedido de meu amigo Sinatra é uma ordem. John é quem deve ser o presidente". Eleito Kennedy, mesmo com Robert , seu irmão, comandando a Justiça, foi desencadeada uma verdadeira caçada aos mafiosos por todo o país, deixando A Voz numa saia justíssima. Discreto, Sinatra não reclamou. Fez vários shows pelos EUA, com artistas de sua confiança, em benefício da Cosa Nostra. Só assim se redimiu junto ao comando maior das famílias. Foi paradoxal e marcante: a Máfia jogou limpo com os Kennedy e os Kennedy sujaram com a Máfia!Não há aqui nada atípico. Assim são as eleições e a política nos EUA. Limpíssimas desde que ninguém levante o tapete...Kennedy governou até as 12h30 do dia 22/11/1963, quando foi atingido por disparos feitos por Lee Harvey Oswald, em Dallas, no Texas. Ali mesmo, em Dallas, seu vice, Lyndon Baines Johnson, assumiu a presidência dentro de um avião. A tragédia aconteceu na terra do vice e nos EUA há quem jure que Johnson bolou com amigos texanos uma maneira de chegar rápido à Casa Branca. Ele tinha grande sede pelo poder e foi eleito (reeleito?) presidente em 1964, ao vencer Goldwater.Está provado: nos EUA, a democracia e as eleições são sempre impecáveis como uma noiva "chique no úrrtimo", mas até que a moça pise no rabo do vestido e caia com o noivo de cara no bolo, derrubando a mesa com as taças e o champanha, como está ocorrendo agora, por exemplo.Só para refrescar a memória do leitor que vê nas atuais apurações ameaça de morte e voto indo parar na Dinamarca, o escândalo de Watergate, que culminou com o impeachment de Nixon (republicano) foi uma lamentável maracutaia eleitoral. Nixon, então presidente e candidato à reeleição, abusou muito do poder e, em 1972, ordenou espionagem contra seu adversário, o democrata George McGovern. Chegaram a arrombar durante a noite a sede do Partido Democrata, que ficava no edifício Watergate, em Washington. Foi reeleito, mas daí entram em ação o "Garganta Profunda", os jornalistas de The Washington Post, Bob Woodward e Carl Bernstein, e o restante todo mundo sabe, porque deu no que deu...É curioso que, apesar dos pesares, a fama dos EUA com sua democracia continua boa e inabalável. O ex-presidente Jimmy Carter (democrata) viaja pelo mundo com a equipe de sua fundação fiscalizando eleições onde a democracia ainda se encontra na fase de aprendizado. Há uma semana, chegaram a chamar sua potência de "República Eleitoral das Bananas". Até Fidel Castro e Saddam Hussein tiraram sua casquinha no Tio Sam! Carter agora continuará seu trabalho de moral baixo...Na eleição atual, o republicano não engole mais o que está ocorrendo. A Comissão Eleitoral não desembucha e desagrada o democrata. As fraudes pipocam e estão sendo comprovadas e há até mesmo ameaça de morte. A noiva cair de cara no bolo não é nada! O pior é que até os padrinhos se borrarão com o chantilly.Como bom texano, George W. Bush deveria, à maneira como os EUA se tornaram conhecidos mundo afora, por Hollywood, nos tempos do Velho Oeste, propor a Gore decidir tudo num desafio. Espetáculo que o mundo todo veria pela CNN e acompanharia em real time pela Internet...(*) B. Requena é editor de Internacional doJC
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