A imprensa, hoje, tem tido enorme responsabilidade social e política; a cada dia, pessoas de diversos matizes sociais lêem jornais, vêem televisão, escutam rádio, e outras, mais atualizadas e de melhores rendas, perscrutam informações por meio da Internet. Isso faz com que a imprensa, escrita e falada, tenha importante contribuição à democracia, ainda incipiente entre nós.Assim, é preciso que a mídia seja coerente, imparcial, justa, e busque informações verdadeiras e próprias, segundo fontes seguras, deixando de lado as que forem meramente vexatórias, indevidas, falsas ou de mero deleite, para o povo não conhecer este ou aquele assunto, com o qual os detentores do poder (político ou econômico) fazem seus negócios... É conhecido o jargão: "para o povo, pão e circo"; acrescento: "aos poderosos, comida, farta, muito dinheiro, e corrupção escancarada".Daí advém a imprescindível independência da mídia; há necessidade de não estar vinculada a determinados segmentos sociais, não ser utilizada para a obtenção de poderes ainda maiores por homens cuja honra temos dúvidas fundamentadas em condutas anteriores, com as quais se forma um elo de corrupção entre a iniciativa privada e os agentes públicos encarregados de administrar este País.Este o papel da mídia: ser firme, independente, investigativa, não fazer coro aos anseios dos poderosos, mas buscar informar à sociedade os bastidores do poder, contando a verdade, e apenas ela, sem prejuízo de reconhecer o direito à intimidade das pessoas, à sua honra, à sua imagem. Esta balança, embora difícil de ser equilibrada, não perde credibilidade, se considerarmos a divulgação de fatos de interesse público, dos quais a sociedade deveria ter acesso.Determinado domingo, embora involuntariamente, ouvi, num programa de televisão, mensagem pela qual se induzia o telespectador contra a eventual recomposição dos vencimentos dos membros do Poder Judiciário: sob o enfoque demagógico e pedante, correlacionavam-na ao aumento do salário mínimo. Jogaram o povo contra os juízes, mais uma vez.Diversos outros servidores públicos tiveram aumentos específicos, muitos dos quais percebendo vencimentos bem acima dos juízes e funcionários do Judiciário. Agora, discute-se o aumento dos soldos dos militares, em torno de 30% e, embora tenham direito (assim como os demais servidores públicos e os da iniciativa privada), a mídia dá outro enfoque, diferente daquele concebido ao Poder Judiciário. É exemplo da falta de coerência e de responsabilidade social, por parte da imprensa, a qual evita discutir, com afinco, os reais problemas que afligem esta Nação. Enquanto estivermos enganando uns aos outros, estaremos caminhando em sentido contrário ao progresso nacional. (O autor, Heraldo Garcia Vitta, é juiz federal em Bauru, Prof. de Direito, Presidente do IBADIP - Instituto Bauruense de Direito Público)
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