A morte do bauruense Evandro Atílio da Silva, em Portugal, vítima de um problema cardíaco no início da semana, trouxe à tona um assunto sobre o qual quase nunca se fala: o despreparo dos turistas brasileiros quando vão para o exterior. Muitas vezes, estimulados pelos baixos preços das classes econômicas ou pelas supostas possibilidades de emprego no exterior, os turistas acabam saindo do Brasil sem tomar os cuidados básicos, como conhecer os costumes do seu país de destino, a língua, o clima ou como é a alimentação. Tudo isso, além da despreocupação com a saúde, que pode ser afetada devido à viagem. O delegado de turismo para Bauru e Região da Associação das Agências de Viagem Independentes do Interior do Estado de São Paulo, Paulo Quirino, falou ao Jornal da Cidade sobre esse despreparo e como uma pessoa que pretende deixar o Brasil em férias ou mesmo a trabalho, deve sempre se preparar antes da viagem.Jornal da Cidade - O que é preciso fazer antes de viajar para o exterior para evitar possíveis problemas? Paulo Quirino - É importante que as pessoas tenham a preocupação de procurar uma agência de viagens com a finalidade de preparar sua documentação, em primeira instância. Na agência existe um profissional que conhece todos os trâmites legais, todas as leis, para que essas pessoas possam ter um aparato na hora que chega no outro país. Na agência a pessoa também pode ter informações sobre o país para onde está indo, sobre o clima, a alimentação, os costumes. Todos os passageiros se expõe aos efeitos de alterações causadas pela viagem, pela altitude, pela mudança de fuso-horário, é preciso que elas saibam como lidar com tudo isso antes de saírem do País.JC - Porque muitas pessoas encontram problemas quando vão para o exterior? Quirino - Muita gente acha que tudo fora do Brasil é mais fácil, mais bonito, por isso saem com a expectativa de que vão ser bem recebidas no exterior e nem sempre a realidade diz isso. Às vezes as pessoas chegam lá fora e se sentem humilhadas, rejeitadas em certos aspectos, principalmente as que vão com a expectativa de trabalhar. Muitas pessoas não se preocupam com isso, simplesmente compram a passagem mais barata e seguem para o exterior. É importante que eles tenham cuidado quanto ao tipo de tarifa que estão comprando e se ela está adequada ao tipo de programa que eles vão fazer no exterior. Por exemplo: se vai ficar um ano, precisa de uma tarifa que garanta sua permanência no período, que ele possa usar para voltar depois de um ano. Quanto mais promocional a tarifa, menos condições a pessoa vai ter e menor vai ser o tempo que ela vai ter para poder utilizá-la para voltar. As pessoas saem com a tarifa mais em conta e deixam para trás todas as preocupações porque acreditam que quando chegarem lá tudo vai se resolver facilmente, que logo vão arrumar um emprego e quando quiserem vão poder comprar outra tarifa. Mas existem os agravantes, de repente a pessoa não se dá bem, não consegue um emprego ou tem um problema de saúde e não consegue voltar para o Brasil porque a tarifa perdeu a validade. Aí fica aquela situação, a pessoa sofrendo para voltar e a família aqui, muitas vezes sem poder fazer nada para ajudar. JC - É uma falta de preparo mesmo...Quirino - Às vezes existe um amigo, uma reportagem, um anúncio de jornal, alguma coisa que atraia, e a pessoa vai atrás, sem considerar tudo quanto é efeito que ele possa ter no exterior, elas esquecem de fazer uma programação. Às vezes para economizar uns 150, 200 dólares, a pessoa não compra uma tarifa que valha por três meses de permanência, que pode ser útil no caso de alguma coisa dar errado. Os estudantes que vão fazer intercâmbio, geralmente saem com algum tipo de seguro de assistência internacional, mas as pessoas que saem aleatóriamente podem ter problemas. Todas as pessoas sofrem os efeitos da viagem mas as pessoas que vão para fazer turismo vão, entram em contato com todas as diferenças e quando voltam depois de um curto período, se recuperam. As pessoas que ficam mais tempo no País podem sofrer mais. JC - Como funciona esse seguro?Quirino - Ele dá uma cobertura à pessoa física, protegendo-a durante o período que ela ficar no exterior. Antes de sair a pessoa compra as apólices para ficar com a sua saúde garantida. É importante saber que existem vários tipos de seguros e várias apólices que podem proteger as pessoas no exterior, é claro que não vai resolver todos os seus problemas, mas eles minimizam, e muito, os problemas que as pessoas possam ter no exterior.JC - Onde é possível fazer esse seguro?Quirino - As agências de viagens são os lugares mais indicados para se conseguir esse seguro. As agências têm para cada situação um tipo de seguro, existe até para quem vai ficar só uma semana no exterior. São seguros básicos, se a pessoa já tem uma estrutura no Brasil, vai sempre ao médico, não precisa de uma apólice mais completa. Mas em casos de pessoas de mais idade ou de crianças, existem seguros diferenciados. O interessante é que as pessoas procurem também as agências credenciadas, que tenham um nome, que possam fornecer um seguro bom e que tenha o conhecimento correto da aplicação desse serviço, não é simplesmente fazer o seguro e colocar na mão do passageiro. Os contratos são minuciosos, complexos então a pessoa precisa gastar um bom tempo dentro de uma agência de viagem para se informar direitinho sobre isso. JC - Você recomenda que as pessoas façam um exame médico antes de viajarem?Quirino - Dependendo da permanência da pessoa no exterior o ideal é que ela faça um check-up e passe por uma avaliação odontológica para evitar problemas que possam surgir devido à viagem ou à mudança de clima. Se ela faz isso aqui no Brasil, pode evitar muito problemas. Além disso, a maioria dos seguros não cobrem problemas pré-existentes, por isso não adianta sair do País, ter um problema lá fora e achar que o seguro vai cobrir. O seguro geralmente cobre acidentes que possam acontecer, problemas pré-existentes, não. Se a pessoa fica doente no exterior devido a algum problema que já tinha, quem que se tratar com dinheiro do próprio bolso. Por isso é importante que as pessoas estejam atentas ao contrato que vão assinar, à apólice que vão adquirir. Na ânsia de viajar as pessoas se esquecem disso tudo. JC - Existe um exagero por parte das pessoas que acreditam que indo para o exterior vão ser bem-sucedidas?Quirino - As pessoas só vão ser bem-sucedidas no exterior se elas forem bem-sucedidas no Brasil. Um caso ou outro pode ser diferente mas isso é muito raro. As pessoas que saem sem apoio, sem um planejamento geralmente não são bem-sucedidas. Para ter sucesso lá é preciso ter um grau de orientação, de ensino, do contrário a pessoa vai passar a vida inteira trabalhando em serviços secundários, morando em condições precárias, comendo mal, o que às vezes gera até o problema da insatisfação, do insucesso, que pode até gerar problemas psicológicos mais tarde. O primeiro passo para sair do País é a pessoa começar a se preparar e fazer um bom planejamento da viagem.
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