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Ilha Anchieta

Eliane Barbosa (*)
| Tempo de leitura: 3 min

Aproveite a viagem e visite a ilha que abrigou no início do século um presídio correcional para menores. Escunas saem diariamente do Saco da Ribeira A Ilha Anchieta, que antigamente abrigava prisioneiros, é hoje uma das paisagens mais deslumbrantes de Ubatuba. O local, porém, não é muito conhecido dos veranistas que escolhem a região para passar férias ou curtir feriados e fins-de-semana. O Parque Estadual da Ilha Anchieta, exibe hoje como ponto turístico o que já foi um presídio correcional para menores, inaugurado em 1907. Construções em ruínas dão uma pequena mostra, como num rápido flash, do local que, em 1933, passou a aprisionar condenados e que mais tarde, em 1952, se transformou no cenário de uma das maiores rebeliões da história carcerária do País. A prisão foi desativada logo depois, em 55.Ao avistar sua paisagem exuberante, cercada de morros forrados de mata atlântica e de um mar verde-claro praticamente sem ondas, é difícil imaginar que alguém possa ter passado um período da vida sofrendo ali.Mas, ao entrar nas solitárias e dar uma olhada nas mensagens escavadas no chão de concreto das celas pelos antigos ocupantes do lugar, a imagem do sofrimento logo vem à mente.Mais adiante, num tanque instalado bem ao lado, essa imagem é substituída pelo espírito preservacionista do Projeto Tamar, que tem uma espécie de sucursal na ilha. No tanque, imensas tartarugas marinhas nadam tranqüilas, como que desfilando para os visitantes, quase sempre maravilhados.O parque estadual do qual a ilha Anchieta faz parte protege a fauna e a flora do local, distribuídas em 828 hectares. Alguns animais foram inseridos na mata como parte de um programa de repovoamento. O visitante pode observá-los andando pelas trilhas. Também por meio de trilhas, o turista chega a várias prainhas, entre elas a do Engenho, onde grandes rochas formam uma piscina natural no mar.É possível ainda usar as churrasqueiras do local e as várias espreguiçadeiras dispostas na praia, ao lado do píer. Não é permitido acampar nem há oferta de hospedagem. A idéia é passar algumas horas nas praias. Quem quiser ficar um dia todo pode pegar uma escuna pela manhã e voltar com a que busca os passageiros à tarde, desde que fique combinado com a empresa turística.Parte do presídio foi reformada e hoje abriga a administração da ilha, que oferece aos visitantes informações sobre sua história.O local, que já foi conhecido como ilha dos Porcos, é dividido nas praias do Sul, das Palmas, do Presídio e do Leste, além da Prainha e da Prainha do Leste.Uma lenda corrente entre os habitantes e visitantes de Ubatuba popularizou a idéia de que o nome dos Porcos surgiu por causa do costume que a administração do presídio tinha de lançar, periodicamente, pedaços de porcos ao mar, para atrair tubarões e, assim, desencorajar as fugas.A história é verdadeira, mas não foi o que originou o nome. Na verdade, ilha dos Porcos significa, na nomenclatura geográfica tupi, "pontuada". É uma alusão aos montes que envolvem a ilha.(*)Colaborou Renata Valdejão, da AF.

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