Há coisas ou acontecimentos inesperados - de quando em quando no Brasil - que chegam a despertar e incentivar largamente a curiosidade pública. Surgem ao mesmo tempo em que, ouriçando a "galera", tornam-se e vivem um misto de: alegria, desconfiança, preocupação e expectativa; quase sempre generalizada, segundo certas atividades sociais da clientela que possa envolver ou atingir.A "bola da vez" - como de algum tempo a esta parte vimos inovando no País - consiste no absoluto envolvimento de classes ativas da sociedade. Estas geralmente se irmanam na busca de proteção, na defensiva dos direitos que se lhes acena. Sejam oriundos de leis, ações, ou oportunidades presentes em atividades consideradas legais, em prol de grupos humanos, segundo: atividades, trabalho, idade, legislação, etc. e etc.!... De sorte que, direitos humanos e ou sociais, como devem ser - via de regra - imediatamente sujeitos ao bate pronto, à direta ação do direito; em universo inversamente proporcional às obrigações. A bola da vez mais recente, portanto, não deverá passar de um fenômeno - tal como outros tantos já ocasionalmente vividos. Os que, via de regra se assomam a público e levantam as galeras, as quais se destinam e lhes dão vida, movimentam classes profissionais (como é o caso presente), de tantas outras opiniões. Como é sabido, a lei assegura a todos os trabalhadores a posse da Carteira de Trabalho assinada (àqueles integrados na economia formal do País), e lhes assegura o "Fundo de Garantia do Tempo de Serviço" (FGTS), segundo seus ganhos no trabalho exercido na sociedade brasileira. Recentemente, eis que - não se sabe porque razão - o Governo Federal anunciou a intenção de "estender a todos os trabalhadores, a correção monetária dos saldos das contas do FGTS relativo aos planos Verão e Collor". Medida que embora sugira possibilidades de reaver vantagens pecuniárias, estarrece até mesmo indivíduos mais ou menos céticos. Como diz o adágio popular: "quando a esmola é grande o santo desconfia"... Contudo, é certo que a grande maioria da clientela - por ventura envolvida - não deixará de viver um período de certa euforia. Destarte, neste final do ano (os trabalhadores com carteira assinada e saldo de FGTS), talvez vivam um acontecimento inusitado, que possa resolver o problema econômico da maioria - nas próxima festas natalinas - com sentimento para "abiscoitar" certa parcela de reais, fazendo jus à inesperada intenção do próprio Governo Federal. Uma espécie de prêmio sempre bem-vindo e com o qual ninguém estaria contando. Entretanto, a atitude governamental - em vista dos acontecimentos, pós/nota presidencial - gerados na mídia, vem produzindo mais dúvidas do que certezas, segundo manifestações dos consultores de plantão e sindicatos. Estes últimos seguem rezando pela efetivação do acontecimento monetário, que diretamente também lhes convém como certa parte do quinhão que pesa no bolso dos sindicalizados. A lebre levantada pelo presidente é qualquer coisa que busca lembrar e o compara à afirmativa popular de que: "ajoelhou, tem que rezar". A polêmica, porém, vem se mostrando cada vez mais acirrada e problemática -porque com mal sabor de reversibilidade - na medida em que as autoridades representativas do governo têm colocado suas posições negativistas, face à situação econômica do País. O governo, entretanto, levantou a lebre e se calou.Uma coisa é certa, Fernando Henrique Cardoso (por sim ou por não), passou mel na boca dos trabalhadores. Agora, durma com o barulho que os sindicatos vão fazer; já que também estarão de olho à espera de suas respectivas partes. Não obstante, há profissionais que se preocupam com os "longos e volumosos contenciosos jurídicos, diz o economista Jorge Vianna Monteiro, da PUC/RJ". E completa: "É necessário procurar entender a mecânica institucional que tem levado a que governos sucessivos promovam políticas econômicas que varrem para debaixo do tapete grandes partes dos custos dessas políticas, gerando intensas redistribuições de renda." Assim, entendo que a propalada correção do FGTS não será quem afunde o barco da economia federal, mas ajudará. Fico por aqui. (*) José Almodova é professor-Mestre em Projeto, Arte e Sociedade. Foi professor da ITE e Unesp-Bauru. É jornalista e colaborador do JC. Escreve às quintas-feiras na coluna
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