Os segmentos não-governistas do PMDB estão trabalhando para restabelecer o prestígio eleitoral perdido pelo partido nos últimos dez anos. As mostras desse contra-ataque são os lançamentos das candidaturas do deputado federal Milton Monti e do senador Pedro Simon, respectivamente, à direção da executiva paulista do PMDB e à presidência da República.No caso da executiva estadual, Milton Monti é visto como o candidato natural à direção, na opinião de Tidei de Lima, membro do diretório estadual do PMDB. Isso porque, tradicionalmente, o cargo tem sido ocupado por um deputado federal, enquanto a secretaria fica sob a responsabilidade de um parlamentar estadual.O PMDB tem hoje dez deputados federais. Destes, cinco filiarem-se ao partido em 1998 e, muito provavelmente, não irão pleitear o cargo até que ganhem maior vivência partidária. Entre os cinco restantes, três são suplentes, o que não lhes daria força política suficiente para serem indicados ao cargo. Restam, assim, Michel Temer e Milton Monti."O Miltinho tem prestígio e força política suficientes para chegar à presidência estadual do PMDB. Seu nome é forte entre as principais lideranças do partido", garante o experiente Tidei de Lima.O fortalecimento da candidatura do deputado oriundo de São Manuel deve-se a dois fatores considerados importantes atualmente pelo PMDB: ele representa uma força nova, ou seja, não está desgastado politicamente; e tem grande trânsito no Interior paulista."Como o partido quer se consolidar no Interior, Milton pode reabrir novamente as portas para o PMDB nessa região do estado. Ele tem essa qualidade e não há como questionar isso, o que faz dele o candidato natural à presidência do partido", explica Tidei.Enquanto o presidente supre a necessidade dos peemedebistas no Interior paulista, o secretário geral faz o mesmo em relação à Grande São Paulo e à Baixada Santista.Os ocupantes para os dois cargos devem ser eleitos em janeiro para um mandato tampão. A eleição será antecipada em função da necessidade de reformular a executiva, uma vez que a alguns membros irão se ausentar por terem sido eleitos, desfiliados ou ficado doentes.Os peemedebistas, no entanto, pretendem organizar a eleição de modo que seja evitado um novo pleito em abril, data inicialmente prevista para ser realizada a escolha da direção partidária. A medida também garantiria o fortalecimento do partido.Mas quem sairá fortalecido caso seja eleito será Milton Monti. A ocupação do cargo de presidente estadual garante projeção e abre portas em Brasília. "Se chegar à presidência partdária, ele será visto como uma liderança, como um político de expressão. Em se tratando do Estado de São Paulo, a importância cresce", argumenta Tidei de Lima.Sucessão presidencialA renovação pretendida por setores expressivos do PMDB paulista encontra respaldo na candidatura do senador gaúcho Pedro Simon à presidência da República, lançada oficialmente ontem.Apesar da candidatura de Simon enfrentar dificuldades internas, Tidei de Lima aposta em seu crescimento. "Os obstáculos podem ser superados pela capacidade e pelo ânimo que o senador tem demonstrado. Ele sabe que não é candidato de si mesmo, mas tem o apoio de segmentos contrários ao perfil governista que o PMDB tem projetado nos últimos anos", comenta.Como o número de favoráveis à oposição crítica vem crescendo, é possível que a candidatura de Pedro Simon ganhe novos apoios. O porém fica por conta dos grupos que preferem investir em uma aliança sem cabeça de chapa a arriscarem-se com um candidatura própria na sucessão presidencial.Tidei de Lima acredita que o quadro partidário multifacetado, com o fortalecimento dos partidos de centro-esquerda, pode fazer da candidatura do senador gaúcho um polo de convergência das forças democráticas do arco progressista. "A postura independente, crítica, a experiência administrativa e o bom governo que Simon promoveu no Rio Grande do Sul poderão contribuir para isso", aposta o peemedebista.
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