Com o tema "Efetivando o SUS: acesso, qualidade e humanização na atenção à saúde com controle social", a Dir-X promoveu ontem, em Bauru, o Encontro Regional de Saúde, com a finalidade principal de discutir os temas da XI Conferência Nacional de Saúde. O professor e médico sanitarista José Luiz Riane Costa e a professora e socióloga Loriza Lacerda de Almeida ministraram palestra abordando temas como a humanização na atenção à saúde, o gerenciamento assistencial, financiamento e o controle social da saúde. O encontro contou com a presença de representantes do Conselho de Saúde de diversas cidades da região. A regional de Bauru abrange 41 municípios.De acordo com Shirley Alonso Mendes, da Direção Regional de Saúde de Bauru, os temas da conferência foram estudados e debatidos em grupos, diversas propostas foram formuladas e será elaborado um relatório que vai ser encaminhado ao Conselho Estadual de Saúde. No encontro estadual que será realizado dia 2 de dezembro, todas as propostas serão avaliadas. "Após isso, todo esse material vai ser utilizado durante a Conferência Nacional de Saúde, que será desenvolvida entre 16 e 19 de dezembro, em Brasília", explica Shirley Mendes. A secretária de Saúde de Bauru, Eliane Fetter Teles Nunes, disse que as principais reivindicações e carências da população já foram discutidas durante algumas conferências municipais. "Em Bauru, o problema principal é que precisamos recuperar anos e anos de descaso e de falta de investimentos na Saúde. Nos últimos dois anos, a nossa principal preocupação tem sido com o treinamento e capacitação do nosso pessoal, recuperar a auto-estima do funcionário e alguns programas sociais que ficaram abandonados, entre outras medidas", diz a secretária. De acordo com ela, atualmente a cidade enfrenta problemas sérios em relação ao espaço físico de alguns órgãos de atendimento público, como o Pronto Socorro central e vários núcleos de saúde, que precisam de uma ampliação "urgente". "São questões urgentes, mas para resolvê-las precisamos de recursos. Do orçamento municipal, já é investido mais de 17% na Saúde. Estamos tentando, agora, que pelo menos as obras ou os equipamentos necessários para esses núcleos sejam financiados ou pelo Estado ou pelo Governo Federal, já que eles querem a municipalização plena da Saúde", ressalta Eliane Nunes. A socióloga Loriza de Almeida, que falou sobre o controle social da saúde, disse que os movimentos sociais tiveram força durante a década de 80 mas, nos anos 90, foram inibidos. "Nos anos 90 esses movimentos se desmantelaram. Há sempre a possibilidade da recuperação histórica, na medida em que existe vontade política, de refazer o processo, sempre na perspectiva da interação da comunidade com as políticas públicas", diz a socióloga. Para ela, existe uma descapitalização das condições de saúde de grande parte da população, em função das próprias condições inadequadas de vida dessas pessoas e do desemprego. "Ao mesmo tempo em que isso acontece, também foi descapitalizada a possibilidade de articulação e da participação popular. Ou seja, não existe nem o serviço, nem a força para a retomada dessa organização popular. E quanto menos se participa, menos se reivindica e mais se submete às condições desiguais de acesso aos serviços de saúde", aponta. De acordo com Loriza, é preciso saber como romper esse círculo vicioso e iniciar uma retomada dos movimentos sociais pela melhoria das condições de saúde.
escolha sua cidade
Bauru
escolha outra cidade