A Estação Aduaneira Interior (Eadi) de Bauru já recebeu, neste ano, um volume de cargas, entre exportação e importação, de 24,066 mil toneladas, o que gerou uma movimentação financeira de US$ 51,237 milhões. Segundo Wilson Batista Souto, presidente da Companhia Paulista de Armazéns Gerais Aduaneiros Exportação e Importação (Cipagem), que administra a Eadi, o resultado já superou as expectativas iniciais, já que a previsão era de que as despesas operacionais só começassem a ser cobertas a partir do segundo ano, mas ocorreu no mês que passou, com nove meses de antecedência.Souto destaca que o mercado da região está sendo prospectado, uma vez que a cultura de utilização do Eadi pelas empresas ainda está se consolidando. Porém, as importações que passam pela Eadi, em valor movimentado, ainda são maiores que as exportações, que têm maior volume de peso, ou seja, as mercadorias importadas pela região têm maior valor do que as exportadas.Para se ter uma idéia, de janeiro até 16 de novembro, as exportações que passaram pela Eadi-Bauru totalizaram 14,624 mil toneladas, num total de US$ 19,603 milhões. Enquanto isso, o volume importado foi de 9,147 mil toneladas, num valor de US$ 30,668 milhões.As maiores empresas exportadoras da região são a Tilibra e a Volvo, respectivamente. Em relação às importações, a ordem se inverte, figurando a Volvo em primeiro, seguida por Tilibra, Grupo Jacto, de Pompéia, e a J. Shayeb.Souto acredita que os números poderiam ser melhores se a região de Marília estivesse direcionando suas exportações e importações para a Eadi-Bauru, apesar dos custos e facilidades proporcionados serem menores.O presidente da Cipagem acredita que menos de 10% das importações e exportações da região estão passando por Bauru. Ele estima que, para que a unidade passe a dar lucro será necessário que movimente US$ 300 milhões. Esse valor seria atingido quando a Eadi-Bauru estiver em atividade plena e 20% a 30% das importações e exportações estiverem passando pela unidade. Pelas projeções da empresa, isso deve ocorrer no final de 2001. Os investimentos na instalação da Estação Aduaneira chegaram a R$ 2,7 milhões.Na consolidação da Eadi-Bauru, empresas de São Carlos, Promissão, Ourinhos e Assis já fizeram operações na unidade aduaneira. O trabalho é para intensificar essa movimentação. "Não é só baratear custo, mas também facilitar, pois quando facilita uma coisa o custo diminui", afirmou Souto.Para ele, o trabalho localizado facilita para a empresa e para a Receita Federal. Quando é necessário fazer uma verificação da empresa, como uma J. Shayeb, por exemplo, os funcionários da Receita já a conhecem. Então vai demorar menos para ter um resultado final que um funcionário de Santos que pode nunca ter ouvido falar na empresa. "O trabalho da Receita é feito da mesma forma rigorosa, mas existe essa facilidade do conhecimento", afirmou.VantagensSouto disse que as importações via Eadi têm uma série de vantagens. Segundo ele, em termos fiscais, o prazo para desembaraço é maior, além da possibilidade de fazer essa operação em lotes, ao contrário do que ocorre nas estações primárias (como os portos), onde o lote total deve ser retirado de uma só vez.Outra possibilidade é o trabalho em regime de entreposto, no qual a carga pode ser desembaraçada em lotes num prazo de dois anos, com possibilidade de mais um ano de prorrogação. Por exemplo, se uma loja traz uma carga de 500 TVs, mas só vende 50 por mês, pode ir fazendo o desembaraço conforme a necessidade, evitando antecipar o pagamento dos impostos e a quitação do fechamento do câmbio.Na exportação, segundo Souto, a diferenciação é que quando a mercadoria deixa a Eadi é como se já tivesse ultrapassado uma fronteira, ou seja, é considerada fora do País.Um contêiner só é aberto num porto, por exemplo, se houve suspeita que tem algo errado, como estar transportando drogas ou armas. Em razão da Eadi contar com fiscal da Receita Federal, dificilmente quem está fazendo uma operação ilegal faz esse trabalho antecipado. "Para fazer algo ilegal, não vai passar por uma Eadi. Vai direto para o limite máximo de fronteira, onde tentará algo para passar", afirmou.FerroviaPara aumentar o potencial da Eadi, a Cipagem fez uma parceria com a Ferropasa (holding que controla a Ferroban e a Novoeste) para extensão de um ramal ferroviário até dentro da unidade aduaneira. De acordo com Souto, o diretor comercial Antônio Grillo Netto, ex-superintendente regional da antiga Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA), está negociando a possibilidade de trazer, via ferrovia, materiais da Bolívia. Além disso, mercadorias podem vir diretamente do porto de Santos para a Eadi, num custo de frete reduzido em cerca de 50%, ou seja, vai facilitar a vida dos importadores e exportadores.Empresas poderão se instalar na Eadi para fazer drawbackDuas Instruções Normativas da Receita Federal, a 55 e a 56, vão possibilitar que empresas instalem montadoras dentro da área da Eadi, como forma de importar peças e exportar mercadorias prontas, sem pagar os impostos brasileiros, na chamada operação drawback.Até agora, esse tipo de operação tinha uma limitação de 40%, ou seja, somente esse percentual poderia ser descontado nas importações de componentes para montar aparelhos que seriam exportados. Com a nova sistemática, a montadora poderá fazer drawback de 100%.Porém, essas empresas terão que funcionar dentro da área da Eadi. A de Bauru está instalada em uma área de 75 mil metros quadrados, que podem ser usados para a construção de novas instalações para essas empresas. Wilson Batista Souto, presidente Cipagem, diz que a Eadi deve gerar facilidade para essas empresas. Porém, cada caso será discutido individualmente, uma vez que a Cipagem poderá participar do investimento necessário.Souto elogia a atitude do secretário da Receita, Everardo Maciel, que com um ato administrativo vai possibilitar a geração de empregos para pessoas da região. Além disso, serão importadas peças e exportadas mercadorias com valor agregado maior, o que deve gerar saldos positivos na balança comercial brasileira. Vale lembrar que esses produtos, pela legislação atual, não poderão ser vendidos no mercado nacional. Porém, há um movimento para que ocorra mudanças nesse ponto.Aeroporto deve trazer mais cargasO novo aeroporto regional, que está sendo construído na rodovia Bauru-Iacanga deverá trazer um bom volume de cargas para a Eadi. Wilson Batista Souto, presidente Cipagem, diz que o aeroporto deverá ter como característica principal o setor de cargas.Na visão dele, o aeroporto de Bauru deverá se tornar uma opção para os aeroportos de Viracopos, em Campinas, e Cumbica, em Guarulhos, que operam com sobrecarga.Souto lembra que o maior mercado consumidor brasileiro é a região da Grande São Paulo e o segundo é o Interior do Estado. Com isso, muitas empresas devem se utilizar do aeroporto de Bauru para fugir do congestionamento dos atuais.
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