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Pragas

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 4 min

Eles estão por toda parte. No chão, no esgoto, nas frestas, nos azulejos quebrados, em volta das lâmpadas. São chamados de pragas urbanas. Estamos falando das formigas, cupins, moscas, baratas, aranhas, escorpiões, ratos e outros insetos e animais que estão cada vez mais presentes nos centros urbanos. As pragas urbanas surgem com o desequilíbrio ecológico. Nos ambientes naturais, as populações de animais e insetos estão em equilíbrio, ao contrário do meio urbano. Os centros urbanos propiciam uma alta qualidade de alimentos e quase nenhum predador natural para os insetos e alguns animais. Por isso, são considerados pragas. "Mesmo se considerarmos nos campos, depois do desmatamento, há o fortalecimento de uma praga, porque em cima da cultura aparece os principais herbívoros e se tornam, para nós, uma praga", disse a professora doutora do Departamento de Ciências Biológicas da Faculdade de Ciências da Unesp de Bauru, Sônia Silveira Ruiz.Para ela, o ser humano sempre vai conviver com baratas, ratos, formigas e moscas, justamente por causa da aglomeração dos centros urbanos. "O que se pode fazer é o controle populacional das pragas, para que elas não cheguem até nossas casas", completou. Os últimos três meses do ano são propícios para a procriação dos insetos. É que nesta época o clima é mais quente e úmido. Por isso, os cuidados com a higiene nas casas deve ser ainda maior, para evitar problemas. As formigas domésticas têm seus formigueiros na própria casa ou próximos dela. A solução é bloquear as fendas, porque tanto a barata, quanto a formiga e o cupim procuram as fendas para começar seus ninhos. As formigas domésticas, que são de diversas espécies, se alimentam de várias maneiras. As herbívoras ficam próximas dos jardins e plantas. Existem aquelas que ficam dentro de casa (as pretinhas, que andam principalmente por cima da pia da cozinha), que se alimentam de restos de comida, e grãos armazenados. Estas não representam tanto perigo ao ser humano, mas podem agravar o problema de infecção hospitalar.As moscas domésticas, aquelas pretinhas, existem em todos os lugares do mundo, habita em todos os ambientes em que a barata também habita e é mais aceitável pelo ser humano. "Ela não vive no esgoto, mas vive sobre estrume, animais em decomposição, fezes, e tudo o que tem cheiro forte. Se reproduz muito facilmente. E o ser humano aceita melhor. Talvez porque seja um inseto menor que a barata", explicou a professora. Os centros urbanos abrigam uma superpopulação de baratas. Elas saem dos esgotos e invadem as casas e apartamentos. Comem de tudo, desde cola e papel, até restos de comida e material em decomposição. Outra praga são os cupins. Eles só podem ser controlados com a ajuda de empresas especializadas em desinseticidação. Existem mais de duas mil espécies de cupins espalhadas pelo mundo. As mais conhecidas são o cupim subterrâneo e o de madeira seca, que atacam as casas. Os cupins entram em todas as frestas e atacam até edificações. Quando começam em um lugar, se esparramam. O alimento preferido é a celulose, desde o papel até a madeira. Destroem árvores inteiras.Ratos são encontrados em menor quantidade nas casas, mas também podem e devem ser evitados. As traças de livro e as de roupa são outras pragas urbanas que também podem ser controladas com a desinseticidação. Há outros animais que merecem atenção da população. São as aranhas e os escorpiões. Esses animais surgem quando há muito entulho ou sujeira nas casas. Há aranhas que convivem com o ser humano. Geralmente, são as pernudas, que ficam nas paredes das casas. Há também as pequenas e que são venenosas. São muito menores que as caranguejeras (que não são venenosas), têm o abdomêm gordinho, são marrons. Muitas vezes, ficam em casa, dentro de sapatos. As armadeiras, são as que ficam atrás das portas. Os escorpiões também entram em casa. Nos dois casos, a higiene é uma boa maneira de controlar a população desses bichos peçonhentos.arras e borboletas se adaptam à vida urbanaA cigarra e a borboleta são insetos que se adaptam à vida urbana com grande facilidade e podem ser encontradas em qualquer jardim ou locais arborizados. A cigarra é um inseto do campo, mas pode ser ouvida na cidade. Tem gente que nunca viu uma cigarra, mas conhece o seu canto. No residencial Parque Camélias elas podem ser ouvidas no final de todas as tardes. Na Praça Dom Pedro II, onde está localizada a Câmara Municipal, apesar do barulho da avenida Rodrigues Alves e das demais ruas, se prestar atenção, o canto da cigarra pode ser ouvido. As cigarras se adaptam bem na cidade, mas elas só ficam próximas de árvores, para garantir a sobrevivência.Já as borboletas têm as espécies próprias de ambientes naturais, de matas e campos, e as que vivem em centros urbanos, que se alimentam de plantas da cidade. As borboletas são resistentes. Sobrevivem nos diversos meios. Muitos insetos morrem por não se adaptarem à cidade. Mas a borboleta está cada vez mais resistente e suporta as modificações. Na região de região de Bauru existem diversas espécies de borboletas, mas não se sabe quantas, pois não há um levantamento, segundo a professora Sônia. Mas a diversidade é grande porque a variedade de flores também é grande."Estes insetos estão vindo para a cidade devido ao desequilíbrio ecológico. No caso das borboletas, se existissem mais flores na cidade, elas apareceriam em maior quantidade", concluiu a professora.

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