O faturamento das Micro e Pequenas Empresas (MPEs) paulistas teve um crescimento de 1,1%, nos nove primeiros meses do ano, se comparado com o mesmo período do ano passado, de acordo com dados da Pesquisa de Conjuntura das Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Pecompe), realizada pelo Sebrae-SP em conjunto com a Fundação Seade. O faturamento de setembro das MPEs ficou 8,7% acima do mesmo mês do ano passado.O resultado reforça a tendência de recuperação das empresas, ainda que, em setembro, o total das vendas das MPEs tenha ficado 3,7% abaixo do que o registrado em agosto deste ano. De acordo com o economista, consultor de empresas e professor universitário Carlos Roberto Sette, o resultado negativo de setembro pode estar associado a vários fatores: menor número de dias úteis em setembro e a sazonalidade positiva de agosto, com vendas elevadas por conta do dia dos pais e o aumento das vendas da coleção primavera/verão. Essas elevações, tanto do comércio, que representa 50% da amostra de Pecompe, quanto da indústria de confecção puxaram muito para cima o faturamento de agosto.Por setores, o faturamento das pequenas empresas industriais ficou 7,2% abaixo do mês anterior e nas empresas comerciais a queda foi de 3,7%. Apenas o setor de serviços registrou variação positiva nas vendas e fechou o período com faturamento 1% acima do mês de agosto. Mesmo assim, os sinais de recuperação do nível de atividade das pequenas empresas paulistas são visíveis, principalmente quando se compara os dados de setembro deste ano com o mesmo período do ano passado, quando o faturamento das empresas cresceu 8,7%, com expansão de 15,5% na indústria, 14,7% nos serviços e 3,2% no comércio. Carlos Sette destaca que, no setor industrial, as empresas que produzem bens de consumo imediato lideram o ranking de crescimento. No setor comercial, as empresas atacadistas puxam o indicador para cima; enquanto que, no setor de serviços, o segmento de serviços prestados por empresas lidera a tabela, seguido pelos serviços de transportes, armazenagem e distribuição.Para o economista, o cenário é favorável para esse final de ano. Mesmo com pressão sobre a taxa de câmbio os juros básicos estabilizados nos 16,5% ao ano (a/a) e a crise Argentina, é possível manter os ganhos do crescimento obtidos até agora. Carlos Sette diz que a recomendação que se dá para as MPEs é que administrem o capital de giro, os custos e a formação do preço de venda. Também não assumam compromissos de fluxo de caixa vencíveis em janeiro de 2001, a não ser os de ordem operacional, administrem a liberação de crédito e qualquer investimento fixo seja feito com recursos de longo prazo, nunca reduzindo o tão enxuto capital de giro. A cautela, portanto, ensina o economista e consultor, deve continuar sendo a tônica para as MPEs à medida em que administram seus pontos fortes internos evitando sempre o choque entre seus pontos fracos e as ameaças do mercado. Quanto às variáveis externas, o recomendado é acompanhar a trajetória atual de recuperação e a possibilidade de desempenho melhor, quando as ameaças internacionais a economia brasileira, permitirem uma nova queda nas taxas de juros, que deverá ocorrer somente no ano que vem, afirmou.Pessoal ocupadoCom relação ao nível de Pessoal Ocupado, o setor registrou um índice praticamente estável, com uma pequena redução de 0,2%, comparando-se setembro a agosto de 2000. Mas comparando-se setembro-2000 ao mesmo período do ano passado, o nível de emprego nas pequenas empresas cresceu 7,3%. Outro dado que mostra a recuperação das pequenas empresas é o aumento do volume da massa salarial: em setembro deste ano, esse índice cresceu 18,7% com relação a setembro do ano passado.
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