Geral

Artigo

(*) Kleber Boelter
| Tempo de leitura: 2 min

O noticiário das últimas semanas nos tem brindado, entre as costumeiras quedas de aviões e chiliques do Romário, com notícias sobre a velha estratégia de fazer caridade com o dinheiro dos outros. Em cena, a discussão do governo federal sobre qual imposto aumentará para elevar o salário mínimo e a mudança da matriz tributária no Rio Grande do Sul que, por um descuido dos tecnocratas, ao invés de mudar a matriz, aumenta a arrecadação do governo em R$ 360 milhões.Há muito que a originalidade não faz parte nem dos discursos políticos pré-eleitorais, nem de suas práticas após conquistarem o poder. As promessas de campanha estão cada vez mais iguais, seja o candidato um comunista declarado ou um fascista disfarçado. Todos garantem, se eleitos, mais saúde, mais educação, mais segurança e mais empregos para os incautos eleitores. A maneira de se conseguir essas melhorias, que poderia realmente diferenciar os partidos, é um mistério. Já as práticas dos governantes após eleitos, com raríssimas exceções, que podem ser contadas nos dedos de um maneta, concentram-se em três prioridades: dar empregos e poder para os amigos e cabos eleitorais, esquecer as promessas de campanha e procurar alternativas de aumentar a arrecadação de impostos. Quem imaginava que a nova esquerda romperia com esses paradigmas, não só embarcou no bonde errado, como padece de uma série de doenças: ingenuidade política, cegueira histórica e credulidade no messianismo. Aliás, doenças comuns ao eleitor engajado, aquele que substitui a razão pela emoção.Há vinte anos que assisto, no início indignado, depois escandalizado e, por fim, entediado, à mesma história: todos os anos, repito, TODOS os anos, somos um pouco mais esfolados com novas taxas e impostos. Se isso significasse melhores serviços do poder público, menos mal. Mas acontece exatamente o contrário, e de uma forma absurda. Hoje, pagamos mais impostos que antigamente, e pagamos outra vez por todos os serviços que o Estado deveria fornecer. Pagamos plano de saúde privado, escola particular, seguranças para vigiarem nossa rua, pedágio para consertarem as estradas, etc, etc. E agora ainda temos uma nova indústria arrecadatória, que são as multas por infrações de trânsito, deturpadas de seu caráter educacional e coercitivo para se transformarem em um item importante dos orçamentos governamentais.O dinheiro retirado da sociedade e desperdiçado na ineficiente burocracia e na endêmica corrupção não é apenas uma estupidez macroeconômica: é um crime contra a sociedade. A maioria dos impostos é arrancada dos pobres e da classe média, desperdiçada numa burocracia de altíssimos salários e numa rede de corrupção que possui apartamentos em Miami e anda por aí de Porsche.Contra os lobos oficiais, temos o poder de ovelhas num matadouro. Mas vale a pena balir com todas as nossas forças para não sermos esfolados em silêncio.(*) Kleber Boelter é empresário e escritor

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