Logo após a privatização, funcionários se reuniram em frente à agência central do banco em Bauru; eles temem demissõesA venda do Banespa para o banco espanhol Santander, na manhã de ontem, causou tristeza e apreensão nos cerca de 300 funcionários da instituição em Bauru. Até as 12 horas, todas as agências permaneceram fechadas, enquanto os trabalhadores discutiam qual rumo tomar com a privatização.Os diretores do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região eram os mais abatidos com a situação. Muitos deles usaram o microfone do carro de som para protestar contra a venda do banco e afirmar que a luta não acabava ali. Se houver demissões, nós paralisamos imediatamente, disse o sindicalista Marcos Aurélio Silvestre, um dos mais abalados com a situação.O Banespa foi vendido por R$ 7,05 bilhões ao Santander, banco espanhol que se tornou o terceiro maior a atuar no Brasil (veja mais detalhes no noticiário Nacional).O trânsito na quadra 6 da rua Rio Branco, onde está localizada a principal agência do Banespa em Bauru, ficou interrompido pela manhã. Os funcionários da instituição que permaneceram no local não quiseram conversar com a reportagem. Mas, nas conversas com os colegas, demonstravam angústia e revolta. Silvestre lembrou que, quando o Santander comprou o Noroeste, o Banco Geral do Comércio e o Meridional, houve cerca de 70 demissões e o fechamento de duas agências. Eles vão querer impor as regras deles, mas nós não vamos deixar que haja demissões, salientou.De acordo com ele, o fato de os banespianos não terem conseguido garantir a estabilidade do emprego no acordo coletivo, fechado no começo deste mês, dificulta as negociações com o novo controlador da instituição.A idéia dos bancários é traçar uma pauta de reivindicações para entregar aos novos donos do Banespa. Mas, temos que levar em consideração que o Santander ainda não assumiu o controle da instituição, o que só deve acontecer na próxima segunda-feira. Até lá, muita coisa pode acontecer, salientou Silvestre.Ele disse que ainda existem ações tramitando no Supremo Tribunal Federal (STF) com o objetivo de anular a venda do banco. No entanto, destacou que a postura da Justiça não tem sido muito favorável aos banespianos. De acordo com o sindicalista, o fato de o banco ter sido vendido para uma instituição estrangeira não amenizou e nem piorou a situação para os funcionários. Nós não temos ilusões em relação a banqueiros nacionais. Tanto faz se é brasileiro ou estrangeiro, estamos preocupado é com o ritmo das demissões, disse.Os clientes que aguardavam na fila do caixa eletrônico em frente à agência central do Banespa em Bauru acabaram se integrando à manifestação e até aplaudindo os discursos dos bancários.Para o segurança Fábio César Pelegrini, a privatização do banco não será benéfica para os clientes. Além de aumentar o desemprego no País, a venda do Banespa vai modificar a relação do banco com sua clientela. Acho que vão aparecer mais taxas para serem pagas e vai ficar difícil manter a conta corrente, disse.Já a comerciária Adriana Bortolomai, que é correntista do Banespa há cinco anos, ainda estava confusa com a privatização. Para ela, ainda é cedo para saber quais as conseqüências para os clientes, mas acredita que o resultado da privatização não trará nenhum benefício para quem mantém conta na instituição. Com certeza, o preço das tarifas bancárias vai aumentar, destacou.
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