Geral

Carta

Dino Magnoni
| Tempo de leitura: 3 min

Parece ironia: FHC e Covas escolheram justo o dia de Zumbi dos Palmares, que morreu em combate pela liberdade de seu povo, para vender aos espanhóis o banco-símbolo do desenvolvimento público, industrial e agropecuário do Estado de São Paulo.A entrega do Banespa para o banco Santander ampliou uma lista extensa de privatização de empresas estatais realizadas pelo governo brasileiro, em cumprimento aos acordos impostos pelo FMI.FHC e Covas tiraram das mãos dos brasileiros uma instituição construída com o suor de gerações de paulistas e permitiram que um grupo financeiro europeu se tornasse o terceiro maior banco privado do País. Isto caracteriza uma desnacionalização econômica sem precedentes no Brasil.Para cumprirem a cartilha neoliberal, liquidaram o único banco que sempre financiou as obras públicas estaduais e municipais; que concedeu crédito aos agricultores e à pequena e média indústrias, agentes econômicos que alavancaram o desenvolvimento paulista, desde a década de 1930.A venda do Banespa para estrangeiros provocará, em pouco tempo, uma longa lista de efeitos negativos. Aumentarão as remessas de lucros para o exterior, um fator que agravará o desequilíbrio da balança comercial brasileira. Maior número de medidas de interesse e de segurança nacional serão decididas fora do Brasil.Os espanhóis irão piorar e encarecer os serviços do Banespa e demitirão milhares de bancários, agravando a situação nacional de desemprego. Eles trarão para o Brasil outros milhares de trabalhadores estrangeiros como fez a Telefônica, que importou gente da Espanha para realizar funções desde a limpeza até a gerência.É preciso que o povo brasileiro condene FHC, Covas e todos os outros agentes neoliberais que compõem os governos federal e estaduais, pelo crime de lesa-pátria, de traição aos princípios de soberania da Nação Brasileira. Urge destituir o ministro do FMI, Pedro Malan, um dos principais arquitetos do plano de desmontagem do Estado Brasileiro.É preciso denunciar o presidente da Assembléia Legislativa paulista, o deputado tucano Vanderlei Macris, que está engavetando o Requerimento Popular com pedido de realização de um plebiscito sobre a privatização e de apresentação de um Projeto de Emenda Constitucional para redefinir a negociação da dívida do Estado e garantir a devolução do controle acionário do Banespa para São Paulo.Igual repúdio merece o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Carlos Velloso, que ignora a Constituição e o Estado de Direito ao cassar liminares apoiado na arbitrária Medida Provisória editada pelo Executivo Federal, para garantir a venda do patrimônio da Nação à revelia do povo.A direção municipal do PC do B de Bauru e a vereadora Majô Jandreice solidarizam-se com os valorosos funcionários do Banespa pela coragem demonstrada na resistência contra a privatização do banco e conclamam todos os bancários, o movimento sindical, a sociedade civil bauruense e paulista, os partidos de oposição e as personalidade democráticas da cidade, para que prossigam com o questionamento político e jurídico contra a privatização do Banespa e de outras estatais brasileiras.Do contrário teremos apenas o Banco do Estado de Espanha e seremos, em breve, a República Federativa dos EUA. (Dino Magnoni - professor e presidente do Comitê Municipal do PC do B de Bauru)

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