No final dos anos 80, gestões desenvolvidas por algumas nações influentes, visando a um desejado cessar fogo, deram a impressão de que, finalmente, Irã e Iraque teriam um Natal sem mais lutas, sem mais sangue correndo nas suas ruas e seus campos, sem mais corpos estraçalhados e/ou calcinados no chão de suas tristes cidades e vilas, porque um acordo de pacificação entre ambos estava para ser concretizado. Contudo, a não-beligerância, palidamente assinada sem seguida, logo foi transformada em letra morta pelos litigantes, que, então, se mativeram na luta acesa. Posteriormente, outros governos influentes intercederam junto aos mais radicais líderes da conflagração objetivando estancá-la, mas, também, nada de positivo conseguiram, frustrando a todos quantos alimentavam esperança de que, na nova arremetida, os canhões finalmente parassem de troar naquelas paragens, embrutecidas pela irrefreável incompreensão dos homens.Como suportar, anos a fio, o bombardeio de objetivos terrestres e marítimos, com copiosas perdas de vidas valiosas e fabulosos prejuízos materiais, era o que perguntava o mundo inteiro, estarrecido, a respeito da desmedida resistência daqueles povos, envoltos em encarniçada luta bélica há tanto tempo. Realmente, não dava para entender que gente como toda gente e, portanto, possuindo, como os semelhantes, carne para sentir a dor das lesões provocadas pelas balas das metralhadoras, pelos petardos dos canhões e pelas bombas dos aviões e dos navios, pudesse conviver assim indefinidamente com a guerra, que não respeitava nem crianças, implantando luto e desolução em seus indefesos lares. Não dava para entender, também, que seus sentimentos não aspirassem à paz e à tranqüilidade humanas, e, conseqüentemente, não procurassem demover seus líderes de prosseguir na longa batalha de vindita. Também não se pode entender agora que, lembrando de tragédia como aquela, que feria todos os princípios de fraternidade e de amor, ainda se esteja dando tempo ao tempo a esse bárbaro conflito, disseminado no Oriente Médio, em função do qual diariamente são sacrificadas dezenas de vidas naquela área. Nota-se aí a interferência de alguns países importantes, destacadamente Estados Unidos e França, sem que seus esforços resultem no sonhado término da conflagração. Então, é preciso que se se faça mais, muito mais, para que se desarmem aqueles povos.Outro Natal está se aproximando, celeremente, prenunciando no repicar de seus sinos novas esperanças de desarmamento dos espíritos e de harmonização dos homens que, salta aos olhos, perderam os caminhos da convivência fraterna. E será que os estrategistas da paz, que se sabe existirem no cenário das grandes potências mundiais, não teriam trunfos mais incisivos, mesmo que em forma de pressão, para pôr termo ao conflito que, desde o velho Oriente, tanto incomoda e intranqüiliza a todos e tende a botar nas ruas do universo inteiro um Natal profundamente tristonho? Nesta aurora do novo milênio bem que todos os homens de boa vontade poderiam pedir a intercessão da Rainha da Paz para que o Menino venha a ser recebido no dia 25 com salva de palmas ao invés de tiros de canhão. É a nossa opinião! (N. Serra, Jornalista Responsável do JC e Delegado Regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado).
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