Geral

Carreira

André Tomazela
| Tempo de leitura: 6 min

O tentente-coronel Flávio Müller, comandante do 2.º Batalhão da Polícia Rodoviária, com sede em Bauru, trabalhou com a área veicular e de trânsito desde muito jovem. Em São Paulo, passou 12 anos como policial de trânsito em regiões como a Zona Leste e Zona Sul. Em Bauru, foi promovido a comandante em função do histórico de sua carreiraEm junho deste ano, o 2º. Batalhão da Polícia Militar recebia o tenente coronel Flávio Müller, promovido em maio. Fui promovido porque gosto muito do meio veicular. Eu trabalhei no policiamento de trânsito, em São Paulo, durante 12 anos da minha vida. O meu envolvimento profissional sempre foi com a temática veícular e, agora, no policiamento rodoviário, continuo lidando com esse mesmo tipo de ferramenta de trabalho, afirma Müller.Ele começou a carreira na PM em 1972, com 17 anos, na Escola de Oficiais. Dentro da Polícia Militar, trabalhou no Centro de Suprimento e Manutenção de Moto-Mecanização, órgão central, que administra os mais de 10 mil veículos da frota da Polícia Militar. A sua história de vida foi marcada, desde muito cedo, com a proximidade com automóveis e motocicletas. Eu sou motociclita também. Fiz o curso de motociclista dentro da PM para poder ficar tranqüilo no que diz respeito a condução do veículo de duas rodas, afirma. Nascido em Nova Europa, cidade próxima de Bauru, Flávio Müller, desde muito jovem, já admirava o Fordinho 29 que era utilizado na padaria do avô, em 1960. Era a coisa mais linda do mundo. Um veículo extremamente rústico, mas muito confiável e que dava as repostas que nós precisávamos. Depois, nós trocamos por uma Rural Willis e, em seguida, por uma Kombi, que modernizou a operação da panificadora de meu avô, conta.Aos 18 anos, Flávio Müller, já dentro da Polícia Militar, comprou o seu primeiro carro. Era um Fusca 68, de cor grená, que utilizou por dois anos. Por dificuldades financeiras, Müller precisou vender o seu fusquinha. Algum tempo depois, comprou um outro Fusca, modelo DSV, adquirido de um colega de turma. O carro estava novinho porque o meu colega, assim como eu, era muito cuidadoso, comenta.A sua paixão por carros grandes começou com a vida de casado. Foi quando adquiriu um Caravan azul celeste, usada. Eu sou grande e a minha família não é mais pequena há muito tempo. Hoje, os meus três filhos já não estão morando com os pais. Mas há uma neta, que precisa de muito conforto. É por isso que eu sempre comprei peruas, conta Müller. De acordo com o coronel, os carros grandes e usados, além da questão conforto, têm uma relação custo-benefício melhor quando comparados aos carros pequenos zero quilômetro. Mostrando a preferência pelo modelo, Müller contou que teve cinco ou seis Caravan ao longo dos anos, que adquiria de seus amigos empresários de São Paulo. Atualmente, possui uma Quantum, ano 92, que apresenta desempenho e consumo muito bons, não deixando nada a desejar quando comparado com um carro zero quilômetro. Já teve também uma camionete D20 cabine dupla não original, comprada em 1996, que utilizava em suas viagens de pesca para o Estado do Mato Grosso. No ano passado, o coronel precisou vender a D20 para comprar um outro carro para a utilização da esposa. Hoje, possui apenas a Quantum. Atualmente, eu venho a pé para o quartel, pois moro nas proximidades. Não preciso mais do carro para vir para o trabalho, conta.Carro do dia-a-dia - Eu gosto de carros grandes porque me sinto mais seguro dentro deles. Eu tive uma Caravan 4.1 S Comodoro. Uma beleza de carro que proporcionava todo o conforto, com preço bastante acessível. Hoje, com a linha Caravan descontinuada, a perua da Chevrolet, a Suprema, é muito sofisticada e tem um preço um pouco alto demais. Carro dos sonhos - Eu queria ter outra camionete. Eu já tive Chevrolet e gosto da marca. Eu tenho a idéia de comprar uma F1000, cabine estendida, que é bastante grande, confortável e proporciona a sensação de estar num veículo mais seguro e robusto.Trânsito em Bauru e nas rodovias - Eu acho que o trânsito de Bauru não é ruim. A cidade é bastante sinalizada. As avenidas, que eu chamo de radiais, que são a Duque de Caxias e a Rodrigues Alves, têm a problemática dos cruzamentos das tranversais onde os semáforos resolvem o problema. A avenida Nações Unidas é muito bonita e arborizada e tem as necessidades semafóricas implantadas, com tempo de semáforo bem distribuído. Outro ponto positivo é que não há morosidade no trânsito em Bauru, mesmo no horário de pico. Como eu morei e trabalhei em São Paulo, não entendo quando eu vejo o bauruense reclamar do trânsito da cidade. Pedestres - O que eu achava esquisito quando eu cheguei em Bauru, foi a falta de semáforos para pedestres no Calçadão da rua Batista de Carvalho. Tem uma faixa larga mas não se sabe o momento certo de passagem dos carros e pedestres. Agora, estão fazendo uma adequação nesse sentido, o que é muito bom para o convívio do pedestre com o motorista e o veículo.Rodovias - Com o advento da concessão das rodovias a empresas privadas, a condição das mesmas vem melhorando consideravelmente. Não só a manutenção como a melhoria das condições de traficabilidade são evoluções visíveis. Temos, atualmente, a duplicação da rodovia Bauru-Jaú e da própria 225, na sequência até a ligação com o Estado do Paraná. Na duplicação, estão utilizando a defensa de concreto no lugar do canteiro central, que proporciona maior segurança. Se um veículo colidir com a defensa de concreto, volta para a pista de origem.Educação para o trânsito é deficienteDe acordo com Müller, antes de uma ocorrência de trânsito, com ou sem fatalidade, existe sempre uma infração de trânsito cometida. Eu costumava chegar numa ocorrência de uma colisão lateral, por exemplo, num cruzamento que tem sinalização semafórica e perguntar aos envolvidos: Desculpem a minha grosseria, mas quem foi o burro que passou no farol vermelho? Porque a sinalização semafórica diz sim ou não. Passe ou não passe. O farol amarelo é mais preocupante ainda, porque indica atenção, não passe. E nós, brasileiros, quando chegamos no amarelo aceleramos o veículo erroneamente. Já o farol amarelo piscante significa atenção, siga se puder, em função de ser funcional para duas correntes de tráfego ao mesmo tempo.O trânsito deve ser sustentado por três grandes vertentes: o esforço legal, a engenharia (que vai proporcionar as condições de trafegabilidade) e a educação de trânsito. Nós brasileiros, de acordo com Müller, temos as duas primeiras bastante desenvolvidas. Mas estamos devendo muito no que diz respeito a educação. O veículo é uma arma que mata mais do que as armas de fogo e do que as armas brancas (facas, canivetes e punhais). Segundo as estatísticas da Polícia Millitar Rodoviária, um número elevado de pessoas perdem suas vidas transitando nas rodovias e nas ruas da cidade. Até o último dia 20, as rodovias da região já registraram 550 vítimas fatais em acidentes. Até o final do ano, o coronel Müller acredita que esse número não ultrapasse o índice do ano passado que foi de 692 mortes. O dever para quem está atrás do volante é ter consciência. O usuário da malha rodoviária e da viária-urbana, precisa ter consciência de que ele é, antes de mais nada, um pedestre, um ser humano e que tem outras pessoas que precisam dele. Se tiver mais consciência, não vai se envolver em acidentes nefastos, que a gente sabe que não quis produzir e que, no entanto, acontecem, conclui.

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