Durante as festividades de aniversário de 10 anos do Centro Educacional do Deficiente Auditivo (Cedau), programa do Centrinho em Bauru, hoje, às 9 horas, 35 crianças atendidas na instituição farão uma apresentação musical, em coro. É o coral das crianças do Cedau. Cantar, com ritmo e afinação, é tarefa pouco fácil e essa dificuldade deve ser multiplicada quando se trata de alguém com dificuldades para ouvir e falar. A expressão musical dessas crianças surdas é, para a equipe do Cedau, a maior conquista nesses 10 anos de trabalho. Do repertório, constam músicas de Sandy e Jr., Uma história de amor, e músicas natalinas.Comunicação é a chave para o processo de socialização e, com ele, o desenvolvimento do ser humano. A criança portadora de deficiência auditiva congênita (de nascença) ou neuro-sensorial (adquirida) tem dificuldades para se comunicar com o mundo e, conseqüentemente, apresenta déficit de aprendizado e na integração social. Sem informação da família e assistência de médicos, fonoaudiólogos, pedagogos, assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros e outros profissionais qualificados, esse quadro torna-se irreversível. O diagnóstico precoce da deficiência auditiva e a procura de ajuda profissional o mais cedo possível são essenciais para o sucesso da criança. No Brasil, além do Centrinho, poucas instituições oferecem, gratuitamente, serviços de reabilitação aos deficientes auditivos. Em contrapartida, o número de casos no Brasil é de 3 a cada mil nascimentos e as famílias envolvidas são, em sua maioria, desprovidas de condições financeiras que garantam um tratamento especializado aos seus filhos.O tratamento multidisciplinar da deficiência auditiva baseia-se na pedagogia, tendo como ponto de equilíbrio a atuação da medicina e da fonoaudiologia, funcionando ainda como fiel da balança a atuação conjunta das demais especialidades: enfermagem, serviço social, nutrição, fisioterapia, psicologia, terapia ocupacional e saúde pública.Desde 1985, o Centrinho dedica-se à reabilitação da pessoa portadora de deficiência auditiva, de forma a garantir-lhe assistência integral. No caso da criança, oferecer-lhe, desde o diagnóstico, colocação de aparelho auditivo e implante coclear (dispositivo eletro-eletrônico multicanal, colocado cirurgicamente na cóclea e que devolve a capacidade de audição) à inclusão e bem sucedido ingresso no ensino regular, ou seja, em classes de ouvintes. Para adultos, além do que é garantido às crianças, são oferecidos programas especiais de orientação à cidadania e colocação no mercado de trabalho. O número de pacientes atendidos no Centrinho é de 22 mil até hoje. No Centro de Atendimento aos Distúrbios da Audição, Linguagem e Visão (Cedalvi), um dos programas do Centrinho nessa área, diariamente, são recebidos para diagnóstico e terapias, mais de 250 pessoas. Além do Cedau e Cedalvi, o Hospital conta com o Centro de Pesquisas Audiológicas, com objetivo de oferecer tratamento especializado aos portadores de deficiência auditiva, com destaque para o programa de implantes cocleares e de apoio aos implantes. O Cedau, criado em 1990, realiza um trabalho clínico com os pacientes, através da estimulação da linguagem oral. Entre os objetivos do programa, está o incentivo ao aprendizado da língua portuguesa escrita. É mais um recurso de comunicação para eles. Quando alguém não entende o que falam, eles escrevem, ilustra Maria José Monteiro Buffa, coordenadora do Cedau.
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