O preço que o Santander pagou pelo controle do Banespa, R$ 7,05 bilhões, num ágio de 281%, foi o correto e o repetiríamos se o leilão fosse amanhã. A declaração é do presidente do Banco Santander Brasil, Gabriel Jaramillo, em entrevista exclusiva ao Jornal da Cidade, que acredita que os outros concorrentes do leilão subestimaram o interesse do Santander e, por isso, deram lances muito abaixo.Pouco mais de 72 horas após obter o controle do Banespa, Jaramillo realizou, ontem, reuniões com gerentes das regiões de Campinas, Bauru (incluindo a área de presidente Prudente) e São José do Rio Preto, para sanar as dúvidas e expectativas desses trabalhadores mais graduados. Jaramillo disse, em Bauru, que a queda das ações do Banco Santander Central Hispano (BSCH) na Espanha, após o leilão do Banespa, foi em razão da confusão do mercado em relação à aposta que a instituição está fazendo no Brasil. Segundo ele, nas últimas horas, após explicar as estratégias, já está havendo uma maior tranqüilidade dos investidores. Nas primeiras horas sempre se confunde. Em razão da situação que há na América Latina, há um temor que invistamos tanto no Brasil. Porém, cremos que o Brasil é estratégico para nós, afirmou.O presidente parece ter razão, depois de cair por três dias seguidos, as ações do banco espanhol tiveram, ontem, uma valorização de 1,48%. A recuperação se estendeu ao mercado acionário de Madri, que chegou anteontem ao nível mais baixo dos últimos 12 meses, e fechou ontem com uma pequena alta de 0,89%.Jaramillo comemora o fato do Santander ter deixado seu concorrente espanhol, o BBV, para traz na América Latina. Ele diz que sua instituição já era a primeira, mas, agora, é líder absoluta na região. Ele lembra que o grupo tem 75 mil funcionário na AL e menos de 100 são espanhóis. ProjeçãoJaramillo diz que a projeção para o Banespa, que vai manter o nome e será independe, é muito estimulante. A intenção é levar a ex-estatal a se tornar líder absoluto no setor financeiro do Interior do Estado de São Paulo. Queremos transformar o Banespa no melhor banco do Brasil, disse o presidente, que ostentava na lapela de um bem alinhado terno um broche do Banespa.O BSCH prevê investir R$ 300 milhões, num período entre 18 a 24 meses, na atualização tecnológica do Banespa. Segundo informações extra-oficiais, o banco tem equipamentos ultrapassados de informática. Jaramillo disse que toda a rede de agências deverá passar por uma atualização.Em relação aos trabalhadores, o presidente desconversa. Diz que quer buscar a tranqüilidade e trabalhar junto com os empregados do Banespa, com transparência e respeito. Ele afirma que pretende aproveitar os funcionários da instituição, mas não diz diretamente quantos e se pretende promover demissões.Para o presidente, o fato da direção do Santander com ele vieram o vice-presidente, Evaristo Rodrigues do Amaral, e o diretor executivo de Rede de Agência, Pedro Coutinho vir a Bauru para conversar com os gerentes, logo após a privatização é um sinal de que haverá muito diálogo. Jaramillo disse que o Santander quer ampliar a rede de agências do Banespa e deve manter em funcionamento mesmo as das cidades pequenas, aquelas que são as únicas e, muitas vezes, não dão lucro. Sindicalistas foram barradosOs representantes do Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru não conseguiram entregar uma carta, que continha cinco itens reivindicatórios, ao presidente do Santander Brasil, Gabriel Jaramillo. O presidente do banco espanhol alegou que não era a hora nem o fórum apropriado. O documento não recebido propõe a manutenção de emprego de todos os funcionários do Banespa; manutenção de toda a rede de agências e departamentos da instituição; manutenção da política de crédito, em especial o crédito rural e aos municípios; manutenção da Cabesp e Banesprev; e manutenção da política de incentivo a projetos culturais e esportivos.O diretor do Sindicato dos Bancários, Marcos Aurélio Silvestre, lamentou o fato de Jaramillo não ter aceitado apenas protocolar a carta do Sindicato. Silvestre previu que a relação dos trabalhadores com os novos controladores deve ser difícil, principalmente se mantida a mesma postura que o Santander teve em outros bancos que comprou, como o Meridional.Silvestre afirmou que fica difícil acreditar que a relação com os funcionários será amena, como vem dizendo Jaramillo. Assim, o Sindicato já pensa em um calendário de mobilização para barrar eventuais demissões que possam ocorrer. Foi uma sinalização do que vem pela frente, destacou. Política agrícola não deverá ter alteraçãoO Santander deverá manter a política de financiamentos agrícolas que vinha sendo desenvolvida pelo Banespa, apesar do banco espanhol não ter a tradição na área. Gabriel Jaramillo disse que, com a compra da ex-estatal, o Santander passou a ter tradição. Ele afirma que, se os clientes querem crédito agrícola, então a instituição vai continuar a fazê-lo.Vale lembrar que, em todo o Estado, as operações de crédito rural do Banespa em 2000, até julho, já haviam alcançado R$ 700 milhões. No ano passado, até junho, estavam em R$ 491 milhões. O Banespa tem atendido com crédito rural ao pequeno e médio produtores. No primeiro semestre, foram cerca de 32 mil operações. Segundo o Banespa, há uma baixa taxa de inadimplência o que permite a evolução deste tipo de crédito de ano para ano. O Banespa tem também ampliado o repasse de recursos do Finame Agrícola, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES): a média mensal de liberações no primeiro semestre deste ano, de cerca de R$ 6,1 milhões, foi 334% superior à média observada no primeiro semestre de 1999.
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