A dignidade de uma personalidade está no fato de que para ela existem valores aos quais a sua própria vida diz respeito, mesmo que residam no âmbito da sua própria individualidade, como no caso dos funcionários do Banespa em sua resistência e luta pela não privatização, digo, doação do banco símbolo do Estado de São Paulo. Nos deram eles uma lição de cidadania consciente, que sabem dos seus direitos, conhecem suas raízes, simbolizam hoje a trincheira da dignidade do povo paulista, repudiando a república do um só homem, onde um só homem, antes de conhecer o teor de liminares, diz: - Estarei de plantão para cassá-las; decidindo assim por todo um tribunal; república, onde um só homem, na Câmara dos Deputados do Estado de São Paulo, despreza o apelo constitucional de 350.000 eleitores, da maioria das Câmaras Municipais, da dos seus pares naquela Câmara Estadual, negando-se a colocar em pauta o anseio de toda uma comunidade a que ele diz pertencer por tê-lo, um dia, elegido; esses funcionários repudiaram a democracia das medidas provisórias editadas por aqueles que dizem ter lutado contra o estado de exceção, no passado recente. Se um só homem basta, para que tantos juízes, parlamentares e outros, para decidirem os destinos do nosso povo, se um só homem basta? O dinheiro que se aplica com essa máquina pode ser usado para a educação, a saúde, a segurança e, quiçá, para o aumento do salário mínimo, já que um só homem basta. Vamos convidar administradores, banqueiros alienígenas para gerenciar nossos negócios, já que somos incapazes, sem visão (veja os lances ofertados pelos banqueiros brasileiros), como ficou patenteado com essa última doação, a do Banespa. Pobre e pedagiado Estado de São Paulo, outrora orgulho desta Nação e, hoje, sem líderes, assiste passivamente sua decomposição, aplaudindo histericamente a política solerte destruidora do Banespa. Só temos a agradecer aos funcionários do Banespa, mulheres e homens de fibra, pela garra, pela persistência demonstrada na luta em defesa do Banespa, provando que mais que um simples emprego, é um ideal; não esmoreçam, mantenham a fibra herdada de nossos avoengos bandeirantes; pois, negócios podem ser desfeitos, situações podem ser revistas e eleições acontecem ciclicamente... Coragem! e, mais uma vez, obrigado pela lição de cidadania e dignidade; a derrota só existe, quando nos consideramos derrotados, antes não! (José Carlos Dias da Silva - RG: 2.252.100)
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