Grupo estréia na quinta-feira, em Bauru, o espetáculo Morada, que explora linguagem do teatro contemporâneo e as instâncias psicológicas do ser humanoReformulada e revitalizada, a Cooperativa de Teatro Silvia Que Te Ama Tanto, dirigida por Márcio Pimentel, estréia na próxima quinta-feira um espetáculo que deve dar o que falar em Bauru. A peça Morada, criada a partir de um texto de 1889 sobre os conflitos de uma mulher que vive um triângulo amoroso, será, talvez, uma das mais ousadas já vistas na cidade.Não porque trará os atores completamente nus em cena, mas por sua proposta que deve provocar as mais inusitadas sensações no público. A peça não tem roteiro linear, mas um story-board, como numa seqüência cinematográfica em que predominam imagem e sons. Em clima sombrio, os atores Mariza Basso, Juliana Alvarez, Ricardo Camargo e Suzane Manzeti personificarão as instâncias psicológicas propostas por Jung e seus seguidores: ego, animus (aspecto masculino da mulher), duplo (o feminino) e o arquétipo da criança. Essas instâncias são manifestadas num estado chamado de psicóide, de maneira semelhante como acontece na criação de obras surreais. A interpretação vai depender das pessoas, afirma a estudante de psicologia Marina Cangiani, assistente de direção de Pimentel. Ainda dentro da psicologia, a peça foi concebida pelo processo da Gestalt. Buscamos apenas a essência do texto e não seu conteúdo na íntegra, diz Marina. Para criar as cenas, os atores foram estimulados a sonhar e levar aos ensaios performances baseadas em suas interpretações pessoais. Estávamos tão envolvidos com a pesquisa de textos que acabávamos sonhando com a peça. Eu mesmo tive vários sonhos muito estranhos, diz a atriz Mariza Basso. E os mais estranhos foram os que, no final, achamos os mais coerentes com a proposta, acrescenta Juliana Alvarez. Nosso inconsciente sabe tudo, faz a gente se mostrar por inteiro, nossas fraquezas e complexos. Acredito que isso vai incomodar muito o público, lembra Mariza.Assim, as cenas, com enfoque na plasticidade, trabalham com câmera lenta, fragmentação e congelamento. Não há diálogos, apenas dois momentos de offs. Tudo é simbólico e cada elemento cênico sugere um significado. A enigmática trilha sonora, produzida por Fernando Falcoski e Kauê Moraes, traz edições computadorizadas inspiradas nas músicas de Philip Glass, Brian Eno, Sonic Youth, John Cage, Portishead, Tangerine Dream, Apocaliptica e Type ONegative. PesquisaA montagem é resultado da pesquisa que Márcio Pimentel vem desenvolvendo desde a década de 80, baseada em teóricos do teatro contemporâneo, como Bob Wilson, Samuel Beckett e Eugenio Barba. Na montagem, ele explora ao máximo o conceito de teatro do enviroment, ou teatro ambiental, que apropria do espaço urbano, dos contextos cotidianos, a partir do feito da espetacularidade do mundo e do espalhamento da artisticidade enquanto olhar estetizante. O termo é discutido no livro Work in Progress na Cena Contemporânea, de Renato Cohen.É o resumo de toda a minha carreira e de toda a teoria que consumi nesses anos, afirma o diretor. Bauru já pôde conferir seu trabalho em apresentações e performances como A Praia, A Flor de Vênus e A Loja de Brinquedos, entre outros. Morada foi aprovada pelo Ministério da Cultura para se beneficiar da Lei Rouanet, que cobre 100% do valor pago pelo patrocinador em desconto no imposto de renda. Empresas interessadas podem entrar em contato pelos fones (14) 231-2919 / 212-2340. ServiçoMorada, com a Cooperativa de Teatro Silvia Que Te Ama Tanto, direção de Márcio Pimentel, terá estréia em Bauru no dia 30. Local: Centro Cultural. Horário: 20h30. Em cartaz até 17 de dezembro. Ingressos: R$ 10,00 (15 pessoas por sessão - haverá dois dias gratuitos agendados pela Delegacia Regional de Cultura). Somente para maiores de 18 anos. Apoio: Delegacia Regional de Cultura e Secretaria Municipal de Cultura. Avenida Nações Unidas, 8-9. Informações: 235-1072.
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