Avaré - O aumento variando entre 40 e 350% nos salários de vereadores, prefeito e vice-prefeito caiu como uma bomba entre vários setores da comunidade avareense. Tanto que o Forum da Cidadania e o Sindicato dos Servidores Municipais já falam em tentar barrar, de alguma forma a decisão da Câmara Municipal, caso o atual prefeito, Joselyr Benedicto Silvestre (PPB), sancione a lei.O aumento foi aprovado pela Câmara na última quarta-feira. O projeto, de autoria da Mesa Diretora, aumenta os salários do prefeito de R$ 4 mil para R$ 7 mil, do vice-prefeito de R$ 1 mil a R$ 4,5 mil e dos vereadores de R$ 1,3 mil a R$ 3,5 mil. Os reajustes revoltaram a cidade, inclusive o prefeito eleito Wagner Bruno (PSB), que protocolou ontem na Prefeitura um requerimento onde sugere ao prefeito Joselyr Silvestre que vete o projeto.O vereador mais votado de Avaré na última eleição, o médico pediatra Ernesto Albuquerque (PT), disse ontem ao JC que também não concorda com o aumento, principalmente levando-se em consideração que o funcionalismo municipal não recebe reajuste há seis anos e que as finanças da Prefeitura não estão em condições de criar novas despesas, desnecessárias, na opinião dele. No mínimo, o aumento é inoportuno, diz o petista.O prefeito eleito, Bruno, disse esperar que o atual prefeito tenha condições de impedir o que ele chama de abuso. Mas, se ele não fizer, meu primeiro ato depois da posse será restabelecer os salários do prefeito, do vice e dos secretários municipais aos níveis de hoje, disse.O posicionamento do prefeito eleito era conhecida dos vereadores, mas, mesmo assim, eles insistiram em fixar os novos valores. Dos 17 atuais vereadores, só oito se reelegeram e saíram do plenário na hora da votação, dando-se como impedidos. Dos nove que não retornarão no próximo mandato, seis votaram a favor e dois - Paulo Dias Novaes (PMDB) e Rogério Rodrigues (PSDB) - votaram contra. O médico Paulo Novaes disse ontem que percebeu-se uma verdadeira manobra política em torno da questão. Já o vereador eleito Ernesto Albuquerque supõe ainda que essa pode ter sido uma manobra para beneficiar o atual prefeito, já que é ele, agora, quem tem o poder de vetar ou sancionar a lei. Já que perdeu a eleição, o veto a esse projeto poderia sugerir um ato nobre diante de tamanha indignação entre a população da cidade.O Fórum da Cidadania de Avaré também declarou-se contra o aumento e promete entrar na Justiça para barrar o aumento. Segundo integrantes do Forum, caso o aumento não seja vetado pelo prefeito, uma ação popular já estaria sendo preparada.A presidente do Sindicato dos Servidores, Sônia Vaiati Severa, preparava ontem à tarde uma nota de repúdio a atitude dos vereadores que aprovaram o projeto.
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