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História de pescador - Pescaria Inesquecível

Irineu Luzia Fernandes
| Tempo de leitura: 4 min

Esta narrativa em cujo teor espero ter o crédito de todos os leitores do Pesca e Lazer, aconteceu há onze anos, mas é impossível de ser esquecida nos seus mínimos detalhes por todos que dela participaram.A sucessão de fatos cômicos e dramáticos vividos por um único pescador, em apenas um dia, merece o devido destaque nos anais desta Gloriosa Coluna.Diz o ditado que pescador que não bebe e não conta mentiras não é um verdadeiro pescador, do qual discordo plenamente quanto à bebida. Na verdadeira história, que passo a contar, vai um alerta aos amantes de uma boa pescaria que não conseguem ficar longe da Marvada Canjibrina.Era final de outubro de 1989 e o domingo havia chegado com muito sol depois de fortes pancadas de chuva durante a semana. O local escolhido para passarmos o dia foi o rio Tietê, em Bariri, abaixo da pequena Eclusa, ao lado da antiga Pousada da Cesp, hoje propriedade particular.Chegamos no local lá pelas nove horas, eu, meu irmão Fernando Lucilha Junior, (pescador de renome e detentor de vários troféus, sendo o mais importante, a Minhoca de Ouro do Rio Miranda em 92); seu filho Fernando Neto, então com 7 anos, e o nosso cunhado Jorge Coccáto, personagem central dos acontecimentos e possuidor do Curso Completo de Pesca por Correspondência, do qual muito se orgulhava.Na distância da estrada até o rio, mais ou menos quatrocentos metros, aconteceram os dois primeiros percalços no dia de pescador do cunhado. A descida era um pasto onde estavam vários animais, incluindo uma vaca com sua cria recém-parida.Grande torcedor do Esporte Clube Noroeste, o cunhado não dispensava a camisa da Maquininha Vermelha, sendo o primeiro a descer, ávido para jogar o anzol na água. Quando estava na metade do caminho, a vaca investiu contra ele fazendo-o correr tanto que, se estivesse numa Olimpíada, teria ganho e batido o recorde dos duzentos metros rasos. E como se não bastasse a carreira, a cinquenta metros do rio caiu num atoleiro, onde perdeu um dos sapatos que não pôde ser encontrado.Os pescadores que já estavam na beira do rio pararam tudo para rir e aplaudir o corredor que chegou à margem mais morto do que vivo e todo enlameado. Enquanto se limpava, um deles sugeriu para que tomasse uma pinguinha para refazer o espírito depois do grande susto. Aquela, seria a primeira de uma série infindável que incrementaria a nossa pescaria.Eu e o sobrinho ficamos com o nosso refrigerante, o mano Fernando com a sua cervejinha de leve, e o cunhado corredor mandando ver na manguaça. À cada nova iscada, uma talagada. Ainda bem que ele só bebia em ocasiões especiais, a pesca era uma delas.Entre as iscas que eu levei, estava uma pequena vasilha de plástico com meio quilo de fígado de boi cortado em pedacinhos, passados no fubá, com que esperávamos fisgar algumas mandiúvas. O tempo foi passando, nuvens se formando, até que a fome bateu e resolvemos parar para comer alguma coisa. Chamamos o cunhado e ele respondeu que já havia comido, e muito bem por sinal, elogiando o excelente patê de fígado que eu levara, reclamando apenas que estava um pouco sem sal.O que o leitor deve estar imaginando, realmente aconteceu. Ele comeu toda nossa isca de fígado com quase meio pão de fôrma, pensando tratar-se de um novo tipo de patê. Quando ficou sabendo o que realmente tinha comido, teve um ataque de riso e acabou escorregando nas pedras caindo para dentro do rio, sendo levado pela correnteza que é forte no local. Depois, foi socorrido a cinquenta metros mais abaixo por um outro pescador que lhe estendeu o seu molinete, ajudando-o a sair da água.O que era cômico, acabou quase ficando trágico durante alguns minutos, mas por sorte, além de algumas escoriações nos braços e pernas, o cunhadão estava inteiro.Quando se pensava que nada mais de infausto poderia suceder ao Jorge, eis que, num arremesso mal feito em que a carretilha travou, o anzol acabou voltando e cravando no seu dedo anelar um pouco abaixo da aliança de casado e deu muito trabalho para ser retirado.Ficamos sabendo no dia seguinte que a aliança teve que ser cortada devido ao inchaço provocado pela infecção.Nesta altura dos acontecimentos, o tempo havia fechado e começava a chover. Do rio até o carro foi o tempo suficiente para cair aquele toró que nos deixou ensopados até os ossos. Enquanto a tralha era guardada às pressas, meu sobrinho Fernando Neto soltou esta pérola: "Pai, agora só falta o carro não pegar e a gente ter que passar a noite por aqui". Quase foi linchado.Felizmente o carro pegou na primeira e o retorno foi só alegria, menos para o cunhado Jorge que não parava de reclamar com a dor no dedo. Esta foi, sem sombra de dúvida, uma pescaria muito difícil de ser esquecida. Concordam comigo? Um piscoso abraço e até a próxima.Irineu Luzia Fernandes é pescador e contador de históriasSe você possui uma história de pescador ou uma foto de seu troféu, envie para o caderno de Turismo do JC. Escreva no envelope Pesca & Lazer ou envie por e-mail para crianca@jcnet.com.brRua Xingu, 4-44, Jardim Higienópolis, CEP 17013-510, Bauru SP. Fax (14) 234-7564

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