O ano 2000 foi marcado por um cenário de recuperação econômica nos setores industrial e comercial. Para 2001, as perspectivas são positivas, com fatores indicativos de crescimento em ambos os segmentos. Essas afirmações são resultado das análises feitas por representantes da indústria e do comércio de Bauru.Para o diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), José Luiz Miranda (Zeca) Simonelli, este ano o setor industrial entrou numa curva ascendente e iniciou um processo de recuperação econômica. Na sua análise, o crescimento da economia verificado em 2000 foi possível devido ao bom desempenho do setor.Demos os primeiros passos para a saída de um processo recessivo, num período marcado pelo grande número de perdas de vagas de trabalho. Acho que começamos a mudar esse cenário e é muito importante ressaltar que o crescimento da economia verificado este ano foi alavancado pelo setor industrial. Dentro do crescimento de aproximadamente 4% registrado, a indústria foi responsável por 70% desse resultado, afirma Simonelli. Segundo ele, para o ano 2001 está sendo esperado um crescimento em torno de 6% no setor industrial. O diretor regional do Ciesp faz questão de ressaltar que todos os resultados alcançados este ano foram fruto de esforço próprio da comunidade empresarial, já que, ao longo de 2000, não existiram medidas governamentais que incentivassem o desenvolvimento do setor industrial. Para Simonelli, se a Reforma Tributária tivesse sido aprovada o setor teria crescido ainda mais, pelo fato das indústrias terem uma carga tributária elevadíssima, segundo ele. A equipe econômica do Governo tem medo de aprovar a reforma tributária porque é muito confortável a posição de se anunciar recordes sucessivos de arrecadação, como acontece mês a mês. Então, é difícil convencer o Governo de que é preciso redistribuir a arrecadação e ter um sistema tributário mais simples que permita uma fiscalização mais fácil, para que as pessoas que sonegam também comecem a pagar, avalia Simonelli. Na opinião do diretor regional do Ciesp, para o Brasil manter uma posição razoável em 2001, será essencial tratar a reforma tributária e promover a flexibilização das relações capital/trabalho. Se essas duas questões não forem tratadas com a importância que merecem, será muito difícil entrarmos na briga com outros países, especialmente os da Alca (Associação do Livre Comércio das Américas). O governo é que precisa tomar consciência disso, porque a comunidade industrial já está consciente há bastante tempo, afirma Simonelli. 2000 positivoO empresário Caio Coube, diretor-presidente da Tilibra, também avalia 2000 como um bom ano, marcado pelo crescimento de 4% da economia - diferente dos dois últimos anos, quando praticamente não houve crescimento -, aumento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, entre outros fatores. Após dois anos de crescimento, em termos macroeconômicos, inferior a 1% e com a taxa real de juros considerada a mais baixa do Plano Real, o ano 2000 foi bastante positivo, avalia. Na opinião do empresário, este foi o primeiro ano de um ciclo de crescimento contínuo. Esses resultados não são suficientes para o Brasil, que precisa melhorar muito as condições sociais e diminuir o desemprego, por exemplo. Mas, é melhor do que permanecer com crescimento zero. Acredito que estamos entrando num ciclo interessante e importante para o País, analisa Coube. Para ele, todos os indicativos apontam para a continuidade do crescimento nos próximos anos, inclusive com a intensificação de investimentos internacionais diretos. O diretor comercial da Plasútil, Edson Begnami, diz que, no aspecto produtivo, o ano 2000 foi positivo para a indústria, destacando as melhorias alcançadas e a redução dos custos. Ao mantermos nossos investimentos em busca de tecnologias mais avançadas, conseguimos melhorias significativas na produtividade, reduzindo custos e, por conseqüência, reduzindo também o impacto do custo da venda sobre a margem. Ou seja, parte da perda foi compensada, diz. No aspecto comercial, para a Plasútil este ano foi marcante. Segundo Begnami, as aquisições no setor varejista (cadeias de supermercados) aumentaram de forma significativa o poder de negociação, o que gerou a limitação das margens de lucro a valores cada vez menores. Dessa forma, obtivemos um crescimento no volume de faturamento em torno de 15%, afirma o diretor. Para 2001, as perspectivas são de um processo de continuidade do crescimento obtido este ano. Prevemos manter os investimentos em tecnologia, com a qual acreditamos ser a única forma de existir num mercado tão hostil e competitivo numa economia globalizada. Em termos genéricos, acredito que o Brasil terá a sua economia estável e uma política fiscal mais austera, garantindo o crescimento em torno de 4%, finaliza Begnami. ProgressoO conselheiro estadual do Ciesp, Ricardo Coube diz que 2000 apresentou progressos em relação aos anos anteriores. Fatores como a queda na taxa de juros, o bom desempenho das exportações e o aumento do nível de emprego foram citados para justificar a afirmação. Eu avalio as reações verificadas como tímidas, já que as bases de comparação - os anos anteriores - não são boas. Vejo o ano 2000 como o início de um processo de recuperação, observa. Para ele, devido a esse processo o futuro se apresenta de forma interessante e a Reforma Tributária é citada, por Coube, como fator primordial para possibilitar a manutenção do crescimento no setor industrial brasileiro. Numa visão macro, tem-se uma perspectiva de que é possível ter um futuro muito bom e auto-sustentado por um longo prazo, se medidas combinadas e previstas forem tomadas. Se conseguirmos fazer uma reforma tributária que desonere a produção, como acontece nos países de Primeiro Mundo, esse será um dos fatores fundamentais para a manutenção do crescimento da indústria no País, analisa Coube. Para ele, o mercado financeiro também deveria exercer papel de parceiro, e não de explorador, da iniciativa privada. Se os caminhos certos forem seguidos, teremos bons resultados e totais condições de competir, por exemplo, com os países da Alca. Porém, se nada disso acontecer, o cenário fica temeroso, analisa Ricardo Coube. Comércio O presidente do Sindicato do Comércio Varejista (SinComércio), Walace Sampaio, faz uma previsão positiva para o próximo ano. Segundo ele, em 2000, foi a primeira vez, nos últimos três anos, que o comércio de Bauru conseguiu repor a inflação com as vendas. Isso já é um grande avanço, porque o cenário era de queda das vendas no varejo pelo menos nos últimos três anos consecutivos. O fato de ter conseguido repetir as vendas do ano passado em termos reais é um fator bastante positivo, afirma. De acordo com ele, não existe nenhuma previsão de grande incremento nas vendas para 2001. Por outro lado, é esperado um crescimento real. Deve existir um crescimento real no próximo ano, mas, ainda será pequeno. Além disso, ele dependerá muito de algumas medidas que possam vir a ser tomadas pelo governo, como a redução da taxa de juros, uma possível redução no preço dos derivados de petróleo etc. Enfim, existe uma série de possibilidades que reforçam um otimismo moderado para 2001, afirma Sampaio. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Sérgio Evandro do Amaral Motta, acredita numa melhora das vendas, em 2001, a partir do aumento do salário mínimo. De maneira geral, ele tem a expectativa de que o próximo ano seja mais próspero que este e que o faturamento do comércio, especialmente no final do ano, alcance um crescimento maior. Durante o ano 2000 não tivemos nenhuma grande surpresa, tanto positiva quanto negativa. Com o aumento do salário mínimo, no ano que vem, aliado ao horário ampliado do comércio em Bauru, acredito que haverá um incremento nas vendas, observa Motta. De acordo com ele, a população aprovou a ampliação no horário de atendimento do comércio, funcionando até as 19 horas durante a semana e até as 17 horas todos os sábados. O diretor comercial de um grande magazine que possui unidade em Bauru, Eldo Moreno, comemora os resultados obtidos durante 2000. Segundo ele, a empresa vai encerrar o ano com um crescimento de 17% no faturamento em relação a 99. A unidade de Bauru vai fechar com esse mesmo resultado. O mês de dezembro foi considerado ótimo pelo diretor e terminou com resultados 15% acima na comparação com o mesmo período do ano passado. Para 2001, as expectativas são das melhores. Acredito que o próximo ano será muito bom. Os indicadores macroecomômicos apontam para o sucesso e para a expansão, diz Moreno.
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