Agudos - Visando resgatar e preservar a cultura caipira, desgastada com o tempo e com o menosprezo, a cidade de Agudos estará sediando, no dia 21 de janeiro, na fazenda São Benedito, um simpósio que deverá reunir artesãos, produtores culturais, nutricionistas e especialistas em conservação de alimentos e também em educação ambiental. Denominado Simpósio Mão Caipira, o evento se propõe a evidenciar a identidade que a região possuiria com essa chamada cultura caipira, por meio de pesquisas histórico-culturais.
Ralf Campos, organizador do evento, diz que, na prática, o simpósio deverá servir para alavancar um projeto de mesmo nome. Segundo ele, o projeto Mão Caipira tem por objetivo garantir a preservação, e mesmo o resgate, de operações de trabalho manuais e artesanais, criando as condições para que essa atividade venha a ser um efetivo instrumento de geração de renda.
Agindo sobre a matéria bruta ou semi-elaborada, o artesão aparece como um construtor cultural, imprimindo em cada peça finalizada não apenas sua marca pessoal, mas todo um conhecimento prático, acumulado e deixado pelos antepassados. Dessa forma, o artesanato e os artesãos exercem uma função pública da maior relevância social, na medida em que preservam operações de trabalho manuais e artesanais. São guardiães do nosso patrimônio cultural, teoriza Campos.
O artesanato, considerado uma forma de produção que remonta o pré-capitalismo industrial, é visto, hoje em dia, na grande maioria dos casos, apenas como uma excentricidade ou mesmo um passatempo, um bico ocasional para arrumar uns trocados e auxiliar no orçamento doméstico. Em muitas ocasiões, a técnica do artesão é descaracterizada, transformando-se numa produção manufaturada dominada pela uniformização, padronização e repetição exaustiva, cuja definição mais apropriada, segundo Campos, seria o industrianato.
Na concepção de Campos, o principal papel social desempenhado pelo artesão - ou seja, a preservação do patrimônio cultural da sociedade em que vive - é ofuscado pelo menosprezo a que está sujeito. Essa função seria desempenhada por pessoas isoladas, amparando-se na tradição oral, no aprendizado com as pessoas mais idosas e no processo de socialização familiar.
Considerando que a situação econômica do País está, cada vez mais, exigindo um reforço no orçamento doméstico, não é difícil concluir que, não gerando renda o suficiente, muitos artesãos poderão, forçados pelas circunstâncias, deixar de lado o artesanato em busca de outra atividade, prevê Campos. Segundo ele, não são necessárias complexas operações mentais para se concluir como a perda desse patrimônio empobrece a cultura brasileira e reafirma a tão decantada falta de memória do povo brasileiro.
Caipira
O Caipira, segundo Campos, era um aventureiro nômade, que enfrentava toda a adversidade de um território desconhecido, onde teria elaborado formas de ajustamento ecológico e social. A indústria caseira caipira produzia utensílios da casa, com diferentes técnicas e com os materiais disponíveis.
O Projeto, por sua vez, procura desenvolver duas atividades básicas: o artesanato e a culinária caipira. Como sua preocupação central é a cultura caipira, Campos considera imperativo alargar as possibilidades de divulgação desse mundo, ampliando as atividades que possam chamar a atenção da sociedade como um todo. A primeira delas seria a culinária. Campos acredita que a área de alimentação, quanto melhor organizada e variada, pode segurar o público por mais tempo. Como é sabido, aglomeração também atrai público, argumentou.
As vagas para o simpósio são limitadas, e as inscrições devem ser feitas pessoalmente até o dia 15 de janeiro, no Espaço Histórico Plínio Machado Cardia, localizado à rua Treze de Maio nº 441, em Agudos, ou no Atelier De Rose, em Bauru, na quadra 11 da rua Treze de Maio, coincidentemente. O simpósio tem início previsto para as 9 horas e deve ser encerrado por volta das 18 horas. A taxa de inscrição será de R$ 6,50 e dá direito a almoço. Informações adicionais podem ser obtidas nos mesmos endereços, pelo telefone (14) 224-1813 ou pelo e-mail ralfcampos@bol.com.br.