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Golfe de Bauru arrisca

Rodrigo Figueiredo
| Tempo de leitura: 5 min

Esporte ganha cada vez mais adeptos na cidade e busca a sua popularização para acabar com rótulo de elitizado

Caro, mas acessível, o golfe começa a ganhar cada vez mais adeptos em Bauru. Visto por muitos como elitizado, o esporte busca a sua popularização e tenta quebrar rótulos e preconceitos.

Fundado há 25 anos, às margens da rodovia Bauru-Marília, o Bauru Golfe Clube (BGC) nunca teve tantos jogadores como hoje. Golfistas dos oito aos oitenta anos revezam-se durante toda a semana no campo de 3,5 quilômetros, em percurso de nove buracos, em busca da melhor tacada, de uma saborosa vitória ou simplesmente de um passatempo ao lado dos amigos.

O clube, que no início do ano 2000 contava com cerca de 40 associados, atualmente conta com 60 e projeta chegar ao final de 2001 com pelo menos 100. "Investimos em melhorias no campo, na manutenção dos equipamentos e na contratação de um professor", explica Sérgio Yomura, vice-presidente do BGC. "O clube está mais bonito e bem mais estruturado, por isso esperamos receber cada vez mais associados".

A chegada do professor chileno Pedro Yañez, há quatro meses, também deu um novo impulso ao golfe na cidade e trouxe um maior estímulo aos novos e velhos praticantes do esporte em Bauru. Formado em uma tradicional escola de golfe na Argentina - país com cerca de 1 milhão de praticantes deste esporte - Yañez é um dos 100 professores habilitados a ensinar o golfe no Brasil, filiado à Associação de Professores Brasileiros. Neste pouco tempo em Bauru, alguns de seus alunos já conseguiram ganhar destaque em torneios fora da cidade, caso dos jovens Guilhermo Oda e Márcio Umetsu. O garoto Ricardo Amantini Filho, uma promessa do golfe bauruense, é outro exemplo: em sua categoria já conquistou cinco títulos em quatro meses, o mais importante no Aberto de Londrina, mês passado. "Sonho em seguir carreira no golfe e ser um dos melhores do Brasil", arrisca.

Para chegar lá, porém, Amantini precisará de muitas horas de treinamento. Segundo Yañez, para se tornar um profissional, é preciso pelo menos cinco anos de treinos ao lado de um técnico. "São nos treinamentos que se aperfeiçoam as técnicas do golfe e se aprende a enfrentar e a dominar os principais desafios deste esporte", explica. "O golfe, praticado de forma regular, profissionalmente ou como forma de lazer, deixa as pessoas mais tranqüilas, educadas e menos ansiosas. Além disso, aprende-se a lutar contra você mesmo, pois é um esporte bastante individual", ensina.

No Brasil, hoje, existem cerca de 25 mil praticantes de golfe, sendo 15 mil federados, que podem disputar torneios pelo País afora. Os principais torneios são os abertos do Brasil, de São Paulo, de Brasília, do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. As premiações ainda são bastante singelas, se comparadas aos milionários circuitos norte-americano e europeu, mas vêm aumentando com a estabilidade econômica e o aparecimento de novos patrocinadores.

No ano passado, com o apoio de empresas da cidade, Bauru sediou pela primeira vez o Torneio Interestadual, ficando na quarta colocação. Atualmente, a cidade disputa a 3ª divisão estadual, mas almeja subir um degrau em 2001, confirmando a melhora técnica apresentada pela sua equipe nos últimos meses. "Nossa meta é conseguir vaga para a 2ª divisão neste ano e depois entrar para a elite do golfe no Brasil", garante Yañez, que atualmente ocupa a 15ª posição no ranking nacional.

No próximo domingo, dia 14, o BGC promoverá o seu primeiro torneio interno do ano. Mas a grande expectativa é para a realização do Aberto de Bauru, nos dias 31 de março e 1 de abril, que deverá contar com golfistas de várias cidades dos estados de São Paulo e Paraná. O clube espera receber a visita de muitos torcedores e curiosos durante os torneios deste ano. A torcida, no golfe, pode acompanhar as jogadas de perto, mas sempre em silêncio. Apesar disso, a emoção de ver uma grande jogada é sempre recompensável e a vontade é de estar no lugar do jogador.

ESPORTE DE ELITE?

Equipamentos caros, clubes altamente elitizados e fechados para a participação popular. Aos poucos, o golfe brasileiro tenta quebrar este estigma e, para isso, tem mostrado alguns avanços para conseguir popularizar o esporte nas diversas camadas sociais. Um exemplo recente está sendo a construção, já em fase de acabamento, de um campo público na cidade de São Paulo, ao lado do Aeroporto de Congonhas, e outro em Curitiba, na chamada Universidade do Esporte, onde os 'sem-clube' podem treinar as suas tacadas ou mesmo disputar uma partida de golfe, gratuitamente.

Para se ter uma idéia, há vinte anos, o tênis também era praticado apenas dentro de clubes privados, até que alguns empresários resolveram construir as primeiras quadras públicas para o uso da população. O resultado, constatado hoje, não poderia ser mais animador, afinal, duas décadas depois, o Brasil revelou Gustavo Kuerten, o melhor tenista do mundo na atualidade.

Em Bauru, o golfe gratuito ainda não está disponível, mas no BGC, os sócios pagam uma mensalidade de R$60,00 e, caso não tenham, também podem alugar os tacos e bolinhas para seus treinos e partidas. O aluguel de 25 bolinhas, por exemplo, custa apenas R$1,00. Para quem deseja ter o seu próprio conjunto de tacos (são 14 no total), o custo médio varia de R$500 a R$1.500 mil, mas pode chegar a até R$50 mil, nos tacos de última geração. "O único grande investimento para se jogar golfe é o inicial, na compra dos tacos e algumas bolinhas. Depois, basta encontrar um campo para jogar e pronto", resume Yañez. Quem deseja aprender golfe no BGC, o custo é de R$20,00 por cada aula de 40 minutos. Segundo o professor, o mínimo recomendável são de 2 a 3 aulas por semana durante pelo menos 3 meses. "Com isso já dá para as pessoas caminharem com as próprias pernas", garante.

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