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Estradas rurais estão em más condições

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

A situação das estradas rurais da região é crítica. De acordo com o diretor da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) de Bauru, Luiz César Demarchi, os sucessivos anos de descaso das Prefeituras para com esse assunto têm colaborado para um quadro de destruição. As ineficientes e deficientes formas de conservação das estradas, utilizadas durante anos, têm feito com que as erosões e o processo de assoreamento aumentem.

Os danos ambientais são enormes e os moradores da zona rural sofrem com o isolamento e situações precárias no dia-a-dia. Está lançado um desafio para os prefeitos eleitos nas cidades da região, que, na análise de Demarchi, precisam acionar pessoas que entendam de solo para determinar como os serviços de conservação nas estradas rurais devem ser executados.

É preciso que os prefeitos coloquem pessoas que entendam de solo para ir até esses locais fazer uma análise do que realmente deve ser feito. Até hoje, o que se fez foi, depois de receber muitas reclamações de usuários dessas estradas, a Prefeitura manda uma pessoa até o local com uma máquina e limpa tudo. Isso só piora a situação. A pessoa que dirige a máquina não entende nada sobre conservação do solo, alerta Demarchi.

De acordo com ele, a ação dessas máquinas de grande porte faz com que todo o solo seja remexido de forma totalmente errada. Dessa forma, além de resolver o problema do tráfego nas estradas apenas temporariamente, os danos ambientais causados por essas máquinas são imensos.

Não adianta nada passar com essas máquinas enormes num local que só precisava de uma ação localizada e manual, por exemplo. Os estragos vão aumentando com o tempo. Além disso, quando dá a primeira chuva, vai tudo por água abaixo e a situação piora. Os prefeitos não dão atenção às questões ligadas a estradas rurais. Só que existe um grande número de pessoas que se utiliza delas para viver, para mandar seus filhos à escola. Quando chove, na zona rural ninguém vai à escola, porque não tem como trafegar pelas estradas, salienta. Para Demarchi, as questões ambientais e as de tráfego nas estradas rurais devem ser pensadas em conjunto, para que sejam alcançadas soluções viáveis a esses problemas.

Pelo fato da pastagem predominar na região de Bauru, os problemas de erosão, assoreamento, afogamento de minas e vossoroca são os mais comuns causados pela má conservação das estradas rurais. Existem determinadas situações de estradas encaixadas em que a água das chuvas corre por 500 metros e depois vai sair num único lugar, num volume tremendo. Isso causa a vossoroca, enterra minas, rios e diversos outros danos. O certo seria essa ser água ser tirada da estrada a cada 50 ou 70 metros, de acordo com cada tipo de solo, analisa Demarchi.

Porém, segundo ele, nada disso acontece. Por isso, a situação das estrada rurais vai piorando gradativamente. Eu não conheço nenhuma Prefeitura que tem uma pessoa especializada em estrada rural. Esse é apenas mais um emprego e a pessoa que pega a máquina para ir até o local, não tem idéia do estrago que está sendo feito quando aquela pá gigante da máquina passa pelo solo. Em muitos casos, isso é como dar um tiro de canhão em um passarinho, observa o diretor do Cati.

De acordo com Demarchi, a região compreendida entre Bauru e Marília é bastante problemática por ter um tipo de solo difícil de ser trabalhado, principalmente, para a finalidade de leito de estrada rural. Trata-se de um solo podizólico, ou seja, que possui uma camada superficial bastante arenosa. Toda a primeira camada desse solo não tem agregação nenhuma porque é praticamente formada por areia. A porcentagem de argila é muito pequena, segundo explica Demarchi.

Esse tipo de solo começa justamente aqui em Bauru e passa por Piratininga, Duartina, Gália, Lucianópolis, Paulistânia, Cabrália, entre outros locais. São municípios em que os problemas com estradas rurais são seríssimos, destaca o diretor do Cati.

Na opinião de Demarchi, para resolver o problema urgente de ter pessoas experientes para tratar das questões relacionadas a estradas rurais, poderia ser escalado um funcionário da própria Secretaria da Agricultura. A Secretaria da Agricultura possui um técnico em cada município e uma comissão estadual para tratar desses assuntos. Existe pessoal especializado nisso. Basta as Prefeituras colocarem a pessoa certa para cuidar dessas questões. É necessário que seja feita uma análise em cada local que apresenta problemas para determinar qual o tipo de solo e qual a extensão do problema para, então, definir as medidas que serão tomadas para consertar a situação. Caso contrário, as máquinas só têm piorado o quadro geral nesses locais, causando sérios danos ambientais nessas regiões e não resolvendo o problema do tráfego nas estradas rurais, alerta Demarchi.

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