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Petrobrasa

(*) Antonio Delfim Netto
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Informações correntes na mídia insinuaram que o presidente da República deu seu acordo à mudança do nome Petrobras para PetroBrax e depois recuou diante da reação da opinião pública e da repercussão negativa no Congresso. O presidente presta muita atenção às questões relacionadas com a imagem de seu governo e acompanha de perto toda a estratégia de comunicação desenvolvida por suas forças auxiliares. Tem à sua disposição os maiores recursos que um governo republicano já teve para gastar em publicidade e conhece, obviamente os seus custos. Por esta razão, não creio que ele aprovaria uma iniciativa tão ridícula se tivessem lhe dito que iriam gastar US$ 50 milhões para trocar um S por um X na sigla da estatal petrolífera.

Pondo de lado essa questão dos gastos, os argumentos utilizados pela empresa para justificar a mudança são de fazer corar um frade de pedra... Não sou especialista na matéria, mas é mais do que duvidoso que a substituição do nome Petrobras por PetroBrax ajudaria a melhorar a avaliação de risco da companhia nos mercados mundiais. A direção da empresa deve ser intimada a mostrar os altos estudos mercadológicos que indicaram tal possibilidade, fantástica, na verdade. Teríamos que chegar a uma de duas conclusões: ou a avaliação de risco da empresa depende da rigidez de seu balanço, da transparência e correção de suas informações, das suas reservas de petróleo, de sua capacidade de crescimento e da boa governança corporativa, ou o mercado é absolutamente idiota: a simples substituição de Bras por Brax elevaria o conceito da empresa (com o mesmo acionista majoritário ) afastando-a dos riscos de um País ex-quase-podre.

O mais admirável é que se supunha que a Petrobras fosse um patrimônio dos brasileiros, que investiram recursos capturados como imposto para sua formação e desenvolvimento. Mas não! Seus executivos agiram como se fossem acionistas majoritários privados, proprietários das ações que pertencem ao Tesouro Nacional! Agiram como donos do patrimônio que se supunha público, podendo dispor dele ( inclusive do apreciável valor da marca Petrobrás ) a seu talante...

Em toda a sua história, enquanto durou o monopólio estatal, a Petrobrás cometeu sérios erros de avaliação, como por exemplo quando se recusou a dividir os riscos da prospecção de petróleo com empresas privadas privadas (nacionais ou estrangeiras ), um ano antes da grande explosão dos preços no mercado internacional na década de 70. Seus executivos não acreditavam que o cartel da Opep pudesse ditar os preços no mercado e que o melhor negócio para a empresa continuaria sendo a importação do petróleo. Mas demonstrou grande eficiência durante o governo Figueiredo, no início dos anos 80, quando recebeu os meios e venceu o dasafio de aumentar a produção de 160 mil para 450 mil barris/dia em cinco anos. O problema é que, na vigência do monopólio, a Petrobrás era mais reativa do que pró-ativa. Por isso, submetê-la à concorrência com a quebra do monopólio foi a uma decisão correta, vencendo muitos anos de resistência corporativa. A competição tende a torná-la mais eficiente e menos presa aos interesses corporativos, o que já acontece em alguns setores, como o da produção. Mas a maior liberdade de ação para enfrentar a concorrência não precisa ser acompanhada de tanta arrogância. Nem pode gerar tanta insensibilidade na administração de um patrimônio que ainda é público...

(*) Antonio Delfim Netto é deputado federal pelo PPB-SP, professor emérito da Faculdade de Economia e Administração da USP e ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento -E-mail: dep.delfimnetto@camara.gov.br

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