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Sindtran é contra catraca eletrônica

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Sindicalista lembra que ex-prefeito Izzo Filho tentou implantar sistema e provocou manifestação de peso dos cobradores

O vereador Rodrigo Agostinho (PMDB) - autor de projeto de lei que regulamenta o passe-integração - já tem um candidato a inimigo em potencial. É o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários em Geral de Bauru (Sindtran), Elias Pinheiro. O sindicalista é radicalmente contra a instalação de catracas eletrônicas nos coletivos para viabilizar o passe-integração. Para ele, se o projeto vingar, cerca de 700 trabalhadores que prestam serviço de cobrador nas três empresas de ônibus correm o risco de perder o emprego.

Se anunciarem que vão trocar as catracas pelos cobradores, nós não pensaremos duas vezes em reagir novamente contra o Executivo e, agora, contra o vereador Rodrigo Agostinho, ameaça. Pinheiro lembrou que, em 98, o ex-prefeito Antonio Izzo Filho e o ex-presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), André Torrens, tentaram implantar o sistema. Fizemos uma manifestação gigante e de peso no centro da cidade, que reforçou, inclusive, o processo de cassação do Izzo.

O presidente do Sindtran se diz desapontado com o prefeito Nilson Costa (PPS). Ele lembrou que Nilson garantiu, ao tomar posse no dia 28 de agosto de 98 como prefeito, que a instalação de catracas eletrônicas estava totalmente descartada pela sua Administração. Acho que a Administração deveria se preocupar em trazer mais empresas para a cidade e aumentar o número de postos de trabalho ao invés de fazer o contrário, cobra.

O dirigente sindical diz que a categoria está pronta para reagir e garantir o emprego. Segundo ele, cerca de 2,5 mil pessoas dependem diretamente desse grupo de trabalhadores. Além de pôr fim a esses postos de trabalho, o sindicalista afirma que as catracas eletrônicas vão sobrecarregar os motoristas dos coletivos. Na ausência do cobrador, os passageiros serão obrigados a pedir informações aos motoristas. O usuário vai ficar a mercê de um equipamento eletrônico que não tem como ajudar grávidas ou pessoas idosas, no caso de um empurrãozinho.

Para o presidente do Sindtran, o Poder Público tem prioridades mais importantes do que decretar a instalação de catracas eletrônicas nos ônibus circulares. O sindicalista faz parte da corrente que defende a construção de um terminal urbano para a implantação do passe-integração. Em Londrina, no Paraná, existem seis terminais - um central e seis periféricos. Aqui em Bauru, funcionaríamos bem com apenas dois.

Pinheiro entende que a implantação do bilhete eletrônico no sistema de transporte coletivo municipal é o primeiro passo para demitir os cobradores de ônibus. Se isso ocorrer e o Poder Público não adotar medidas para amparar esses pais de famílias, nós vamos aumentar o número de trabalhadores informais nas ruas da cidade. O sindicato vai ajudar esses trabalhadores a montar suas barraquinhas em frente à Câmara Municipal, na Praça das Cerejeiras, onde está instalada a Prefeitura, e em outros lugares públicos.

O sindicalista explicou, ainda, que boa parte desses trabalhadores está empregada há muitos anos. Muitos são deficientes físicos. Com certeza, esse pessoal terá dificuldade para se recolocar no mercado, alerta. Ele também questiona a Administração quanto aos investimentos que serão necessários para viabilizar o projeto. De acordo com o presidente da Emdurb, Joaquim Madureira, serão necessários cerca de R$ 2,5 milhões para adaptar os ônibus. A responsabilidade dos gastos é por conta das três empresas.

Já não basta uma empresa que está enfrentando dificuldades? Querem que as outras duas também entrem em processo de desintegração?, questiona, suspeitando que os altos investimentos necessários possam debilitar a saúde financeira das outras duas operadoras do sistema.

Sem demissões

A implantação do passe-integração não implicará em demissões de cobradores, mesmo se o sistema escolhido para controle de passageiros for o de catracas eletrônicas. A garantia é do prefeito Nilson Costa (PPS). O estudo encomendado pela Emdurb preserva o emprego dos cobradores, afirmou.

Ele não quis marcar data para a implantação do passe-integração, mas acredita que o projeto só será viabilizado no segundo semestre deste ano. A preocupação da Administração neste momento é processar a licitação pública que apontará a empresa que vai explorar cerca de 50% das linhas de ônibus da cidade, hoje sob a responsabilidade da Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB).

O prefeito elogiou a iniciativa do vereador Rodrigo Agostinho (PMDB) - autor do projeto de lei que regulamenta o passe-integração -, mas lembrou que os estudos encomendados pela Emdurb já recomendavam a adoação do sistema. A consultoria recomendou ou a contrução do terminal ou a implantação do passe-integração.

Nilson destacou ainda que cerca de 50% das linhas de circulares em operação são bairro a bairro. O passageiro vai de um bairro a outro pelo preço de uma única passagem. Ele lembrou que a população, de um mode geral, está satisfeita com o sistema. Durante nossa campanha, nosso programa de etelevisão entrevistou munícipes que disseram estar satisfeitos com os ônibus bairro a bairro.

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