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PROFESSORA EDINÉA

Catarina Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

A educação perde quando vaidades ganham espaço num momento sério em que as pessoas esquecem aqueles que são as vigas mestras do ensino, ou seja, os alunos.

Edinéa, exemplo de ideal, determinação e trabalho, lutou muitas vezes sozinha pelo que acreditava: a pedagogia no seu mais amplo sentido.

Buscou soluções, não fugiu em momento algum dos problemas graves que acometeram nossas unidades de ensino.

Era presente, estava presente e mergulhava em todas as situações, além de buscar parcerias no combate às drogas, na luta contra os mais sérios conflitos sociais que emergiam nas escolas de Bauru e região.

Mulher competente, pois suas atribuições delegadas por lei muitas vezes extrapolavam os limites de hora, de espaço e de funções. Nunca precisou de cargo para demonstrar sua capacidade de trabalho e nem para transitar pelos meandros complexos da educação. Professora que hoje deixa um cargo, mas não abandona suas responsabilidades de educadora.

Pena que a secretária estadual de Educação, Rose Neubauer, viajou muito para o Exterior, alegando buscar lá fora fórmulas mágicas para o ensino brasileiro, sendo que as respostas todas ela encontraria no nosso Brasil e, quiçá, em nossa Sem Limites, com a grande mestra Edinéa. A teoria demonstra cultura, mas a vivência transforma e aperfeiçoa a realidade.

É o construtivismo de Piaget, é o professora sim, tia não, de Paulo Freire. Eu nunca vi um belo discurso tirar o jovem do descaminho, mas uma boa aproximação e diálogo fazem a conversão.

Num universo, cito algumas ações concretas de nossa querida professora que deixa uma gama imensa de responsabilidades, apenas porque queria continuar fazendo e, realmente, não lhe deram o respaldo e o respeito necessários.

Nossas crianças perdem, nossos jovens já perderam, mas o que me alenta é saber que existem países onde o professor é reverenciado. Taí o Japão provando porque superou todas as crises: respeito ao mestre e incentivo à educação e trabalho.

Professora Edinéa, minha superiora, como docente e como mulher que encara o profissionalismo, quero registrar na tribuna mais conceituada do nosso Estado, que conheci muito de perto o que a senhora fez e faz e sinto um grande orgulho de ser profissional do magistério da mesma geração.

A educação, amigos, não tem partido, nem cor: ela tem propostas e metas - sentido obrigatório. Continuo pensando que não é interessante politicamente espalhar engenho e arte, no combate à fome e ao desemprego.

Fernando Pessoa diria que tudo vale a pena se a alma não é pequena. Machado de Assis, mais reflexivo e menos esperançoso, falaria do legado da miséria e permaneceria Casmurro. José de Alencar, a tradicional frase de Iracema, tudo passa sobre a Terra. Shakespeare e seu célebre questionamento to be or not to be?. Olavo Bilac ficaria com a última flor do Lácio, inculta e bela. Eu sou tão moderna que ainda respeito a pedra basilar do ensino delineada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação: o aluno em primeiro lugar - é a modinha permanente da pedagogia. (Catarina Carvalho - RG: 4.263.258)

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