Há fatos cotidianos que, por sua natureza e simplicidade, tornam-se comuns, não despertando atenção, mas na realidade são importantes por serem prejudiciais à saúde. Serve de exemplo a farta constatação diária de crianças pequenas se esforçando para acompanhar as passadas de seu condutor, mais comumente a própria mãe nas ruas, numa prática generalizada.
Precisando levar a criança, pesada para o colo, os adultos têm por bem conduzi-las pela mão. Mas tal atitude tem revelado um freqüente misto de zelo e imprudência. Quem não sabe que uma criança pequena tem passo bem menor que um adulto? Quem não sabe, com mais certeza, que se o adulto andar apressado, tornará essa diferença mais desproporcional ainda? Pois bem, todo mundo sabe, mas as ruas são grandes palcos onde se assiste a crianças de 6 anos para menos, em forçada marcha acelerada para acompanhar os passos da mãe que as vai puxando apressada, da forma como uma engrenagem maior movimenta mais rápido uma menor, principalmente na volta à casa, quando em atraso para atender os inadiáveis afazeres domésticos, em contraste com a folga de tempo de um passeio programado.
O mais grave é que a seqüela dessa constante maratona infantil não se limita a deixar musculosas as pernas das meninas. O freqüente esforço desregrado compromete o sistema cardiológico e a formação escultural óssea. Para o próprio adulto, o exercício não prescinde método e orientação profissional! (Hélio Souza - OAB 19.779)