Geral

Ciretran mantém rigor com documentos

André Tomazela
| Tempo de leitura: 3 min

O delegado seccional espera a volta dos 15 funcionários cedidos pela Associação dos Despachantes à 5.ª Ciretran

A Associação dos Despachantes de Bauru teria agido de modo unilateral ao retirar, no início da semana, os seus 15 funcionários cedidos à 5ª. Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran). Essa é a opinião do delegado seccional de polícia de Bauru, Antônio Ângelo Ciocca.

Nós apenas lamentamos que a Associação tenha tomado a decisão e somente depois ter comunicado à Ciretran. Mais uma vez, a comunidade poderia ser prejudicada. Nós não tivemos a oportunidade de analisar e estudar a decisão, comenta Ciocca.

De acordo com o delegado, a ausência dos funcionários da Associação não está prejudicando os trabalhos. Isso porque os 12 funcionários do Estado, incluindo os dois delegados da Ciretran, estão se desdobrando e trabalhando algumas horas a mais para que os documentos sejam expedidos dentro do período legal, que é de dez dias úteis. Conforme matéria publicada na edição de ontem, os 15 funcionários da Associação dos Despachantes cedidos ao Estado foram afastados, numa espécie de represália da entidade à morosidade e burocracia na expedição dos documentos pela Ciretran.

Ciocca afirmou, ainda, que a parceria entre a Ciretran e a Associação dos Despachantes é legal e está de acordo com a tendência atual de parcerias e de terceirização entre empresas e instituições públicas. O que há, na verdade, é uma parceria que eu não acho que seja imoral, comenta.

O delegado admitiu, no entanto, que seria conveniente que a Ciretran não precisasse do pessoal cedido pela Associação, mas o número de funcionários que o Estado disponibiliza seria insuficiente para a realização dos trabalhos.

A presença de funcionários da Associação dos Despachantes, da Associação das Auto-Escolas e até mesmo da Prefeitura dentro da Ciretran não seria prejudicial porque as atividades de coordenação, orientação e fiscalização não são responsabilidades destes e, sim, apenas do delegado.

Na última segunda-feira, em reunião entre todos os comandantes de Batalhão e todos os delegados de seccionais, ficou demonstrado que o que mais preocupa, não só em Bauru, mas em todo o Estado, é o furto e roubo de veículos.

Dentro desse pressuposto, o procedimento extremamente rigoroso adotado pelo atual diretor da Ciretran, o delegado Abel Fernando Paes de Barros Cortez, na expedição de documentos de veículos, estaria plenamente de acordo com a preocupação da polícia de redução do número de furtos e roubos de veículos, segundo Ciocca.

Eu prefiro que o cidadão de Bauru, que adquire um carro, tenha o documento expedido em 15 dias, mas que esteja correndo um risco mínimo de expedir um documento de carro roubado ou furtado, produto de crime, do que o documento sair no dia e o cidadão pagar pelo veículo e correr o risco de perdê-lo em função de ser furtado ou roubado, comenta Ciocca.

O procedimento rigoroso de análise dos documentos, caso a caso, adotado pelo diretor da Ciretran, seria orientação da Delegacia Seccional, e não uma decisão própria como acha a Associação do Despachantes.

Comunidade priorizada

Embora os funcionários da Associação dos Depachantes que foram afastados estejam fazendo falta na Ciretran, de acordo com Ciocca, a comunidade não está sendo prejudicada.

A Ciretran está entrando em contato com a Associação dos Depachantes para tentar resolver o impasse. Nós queremos acreditar que prevaleça o bom-senso, porque nós respeitamos bastante a classe dos despachantes. Nós só lamentamos que a medida tomada tenha sido bastante precipitada. A medida do afastamento foi unilateral, diferente de quando houve a parceria, decisão tomada pelas duas instituições em conjunto, comenta Ciocca. Espero que a medida seja revista e que, acima da polícia e da Associação dos Despachantes, prevaleça o bom atendimento à comunidade.

Comentários

Comentários