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Comissão quer incentivar estágios

Redação
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Presidente da Comissão Municipal de Emprego, Domingos Malandrino, afirma que estágio é fundamental para o profissional

A Comissão Municipal de Emprego (CME) deve intensificar a realização de cursos de qualificação de mão-de-obra e implementar um programa de incentivo ao estágio, neste ano. A informação é de Domingos Antônio Malandrino, que, ontem, tomou posse da presidência da Comissão.

Para o ano de 2001, uma das propostas que será colocada na próxima reunião da Comissão Municipal de Emprego é quanto às pessoas que precisam do primeiro emprego. Normalmente, as empresas exigem experiência. Como ter experiência se ninguém cria a oportunidade? Se a comissão aprovar a sugestão, vamos nos reunir com diretores de faculdades e colégios técnicos para começar a conduzir essa grande gama de pessoas aos estágios, podendo, futuramente, abrir suas próprias empresas, destaca Malandrino.

A Comissão, que existe há cinco anos, tem como um de seus principais objetivos controlar cursos de qualificação e requalificação de mão-de-obra e criar postos de trabalho. Antônio Gerson de Araújo, que presidiu a Comissão durante o ano de 2000, destaca alguns aspectos importantes de seu funcionamento. O que eu acho interessante na Comissão é que setores da sociedade, muito influentes e que conhecem o aspecto de emprego, e, evidentemente, de desemprego, são chamados a participar junto com o poder público para a melhoria do emprego. Nós temos a condição de avaliar a situação e o perfil da cidade no que diz respeito aos empregos, disse Araújo.

De acordo com o atual presidente, em 2000, foram liberadas 1.980 vagas nos cursos de qualificação e requalificação em Bauru. Nos mais variados setores. Tanto no setor industrial, quanto no comercial, quanto no de serviços. Também trabalhamos com os setores artesanal e informal. Ou seja, sobre aquilo que a população mais desejar, principalmente aquelas pessoas que, infelizmente, encontram-se desempregadas ou que correm o risco de perder o seu emprego, afirma.

No entanto, Malandrino acrescenta que o curso de qualificação não garante o emprego à pessoa. Ele norteia. Às vezes, ele não dá a formação suficiente para que ela consiga trabalhar naquele ramo. Mas ele dá um alerta para que a pessoa melhore, busque mais qualificação. A gente está dando uma qualificação para que ela tenha maior possibilidade de arrumar um emprego, conta o presidente da Comissão.

Domingos Malandrino acredita que Bauru tem um perfil de empregos baseado nos serviços e no comércio e que já superou a pior fase do desemprego. Há dois ou três anos, a gente tinha um perfil muito negativo no que diz respeito ao emprego, das possibilidades de arrumar emprego - coisa totalmente diferente do que está acontecendo hoje. Mas Bauru sempre esteve aquém dos níveis estaduais e nacionais, e grande parte desse nível superior ao estadual deve-se à diversificação de atividades, enfatiza.

Outro setor lembrado pelo presidente eleito é o agrícola, um aspecto promissor em Bauru. Ele acredita que a cidade tem uma tendência grande para a fruticultura, responsável por muitos empregos no campo. Um investimento de, em média, R$ 4 mil por hectare, gera quatro empregos. É um investimento baixo e que absorve mão-de-obra desqualificada, conta.

Um traço marcante no perfil de Bauru é a existência de colégios técnicos e escolas com cursos profissionalizantes, como Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Serviço Social da Indústria (Sesi), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae), que geram mão-de-obra qualificada e diversificada, de acordo com Malandrino. Bauru cresce porque é diversificada e forte em vários setores e vários segmentos. Nós recebemos de braços abertos qualquer tipo de atividade que venha se instalar aqui. E isso é bom, tanto é que, ano a ano, crescemos .

O setor industrial, de acordo com o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), sofreu, até novembro de 2000, redução de 48 postos de trabalho em Bauru. Em 12 meses foram perdidos 196 empregos. Malandrino coloca que muitos casos não podem ser controlados por órgãos municipais. Claro que fechar emprego não é algo interessante, principalmente porque os setores que fecham são das micros e pequenas empresas. A preocupação, hoje em dia, quando vemos que foram fechados 48 postos de trabalho na indústria, é que algumas decisões independem da vontade municipal. Eu acho que, no geral, Bauru não tem perdido. Se você pegar um foco setorial, pode ser que se constate redução, ressalta Malandrino.

O ex-presidente da Comissão destaca que Bauru teve um crescimento no setor de serviços.O que seria bom levar em conta é que a área de serviços tem aumentado bastante. Por exemplo, a Unip, que veio para cá há dois anos e gerou empregos, disse.

Araújo destaca, ainda, aspectos positivos decorrentes da Lei de Responsablidade Fiscal. Bauru, por ter saído na frente com a Lei de Responsabilidade Fiscal, não deve demitir funcionários. Nós temos 4.700 funcionários na ativa. Assim, entramos junto com a onda de crescimento de economia, quando outras prefeituras vão estar demitindo.

Como funciona

A Comissão Municipal de Emprego é composta por representantes de sindicatos patronais e de empregados, além do poder público, com cinco representantes de cada setor, totalizando 15.

A cada ano, o presidente faz parte de um desses setores, num rodízio. Este ano, Domingos Antônio Malandrino foi eleito como representante do sindicato patronal, já que faz parte do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Antônio Gerson Araújo, que presidiu a Comissão durante o ano de 2000, representava o poder público. Os próprios membros da Comissão elegem o presidente, que fica no cargo por um ano.

Um dos papéis da Comissão é o de criar cursos de qualificação e requalificação de mão-de-obra e gerar postos de trabalho. Em cima desses cursos, a população demonstra interesse e a Comissão Municipal de Emprego cria os planos de qualificação de mão-de-obra e reivindica a São Paulo (Secretaria Estadual de Emprego) o número de vagas, conforme a demanda surgida no município naquele ano, disse Malandrino.

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